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  A nova Estação ferroviária de Petrópolis de 1938

Data: 23/08/2015

 

 

A nova Estação ferroviária de Petrópolis de 1938

 

 

Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, Tribuna de Petrópolis, 23/08/2015

Historiador

 

Muita curiosidade ainda é despertada principalmente na internet pela imagem que pertence a uma coleção de postais produzidas por iniciativa de R. Haack (Arquivo do MI) ao fim dos anos 30, mais precisamente em 193839 por ocasião da inauguração e da plena atividade da nova Estação Ferroviária da Leopoldina de Petrópolis, cuja autorização para construção se processou por iniciativa do interventor municipal Yeddo Fiuza em convênio com a Rede Ferroviária Federal. Fiúza neste período determinou (1936) o termino do sistema de transporte por bondes da CBEE em Petrópolis favorecendo e atendendo as reivindicações das recém-organizadas empresas de transporte coletivo urbano após longas conversas com empresários locais como o influente Joaquim Rolla, mesmo sob protesto dos denominados conservadores. O desembarque final dos bondes realizava-se na área externa da estação ferroviária junto à chegada tradicional de automóveis e tílburis para o embarque de passageiros, proibindo o tráfego de carroças e tílburis (cabriolé, carros de duas rodas e dois assentos, sem boleia, com capota e puxados a cavalo) pelo centro da cidade. Na oportunidade, Fiúza anunciou um projeto de reurbanização para a mesma região com a organização e construção de uma estação ferroviária mais moderna e a ocupação de sua área externa pelos ônibus da Útil e da Única que faziam o transporte para o Rio de Janeiro passando pelo exuberante Hotel Quitandinha, tanto em viagem de ida como de retorno, sendo na estação ferroviária seu desembarque final. Este desembarque logo foi transferido para a Praça D. Pedro, sendo substituído na estação pelos urbanos que cresciam em número de unidades e empresas na cidade. Porém, após a Segunda Guerra, o embarque dos ônibus das referidas empresas para o Rio retornou à área externa da rodoviária.

Observamos que o novo prédio da Estação em sua parte dianteira destinava-se ao guinche de venda de passagens e embarque de passageiros, com um estande para embarque e desembarque de cargas, outro para uma bomboniere e charutaria e um estande da tradicional e concorrida banca de jornal posteriormente do Caruso, enquanto em sua área secundária com portas de ferro sanfonadas, destinava-se a entrada dos pequenos veículos de transporte de bagagens para sua pronta acomodação no vagão de cargas.

O antigo de que externo à estação deixava de ter a função de embarque de passageiros e passava a ser de desembarque com serviço externo de carros de praça, junto ao Hotel Royal, já que outro ponto ocorria próximo aos hotéis como o Comércio.

A funcionalidade do sistema destinava-se tão somente ao transporte de passageiros, revelando em horários pré-determinados o desembarque de cargas para os ainda existentes armazéns da cidade que no passado foram economicamente vitais e de rendimento maior para a empresa.

Estes armazéns encerraram suas atividades após a Segunda Grande Guerra com o crescente fluxo do transporte por caminhos pela Rodovia Washington Luis.

O transporte pela ferrovia já não despertava mais o mesmo interesse de antes após a chegada dos coletivos que faziam um transporte rápido em tempo e eficiente pela moderna Rio Petrópolis, passando em frente ao exuberante projeto arquitetônico do Hotel Cassino Quitandinha, mas o projeto de reurbanização e revitalização de Fiúza no centro procurava reabilitar o interesse pelas viagens ferroviárias em direção à estação de D. Pedro II no Rio, como antes eram realizadas.

Um roteiro cronológico da ocupação da área da Estação nos fornece imaginariamente uma imagem da região que nos anos 30 chegou inclusive a ser chamado de "Quarteirão Estação" (Gabriel Fróes), fato incomum para o plano de divisão topográfica da cidade.

 

a) Inauguração das operações na primitiva estação ferroviária da Leopoldina Railway, Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro do Grão Pará (1885-1890) em 18.2.1883

b) Data da inauguração definitiva da Estação Ferroviária (1885)

c) Lançamento da pedra fundamental da nova Estação Ferroviária da Leopoldina de Petrópolis: 19-2-1933 (Estrada de Ferro da Leopoldina 1890-1964)

d) Entregue provisoriamente, ao serviço publico a nova plataforma - 3.7.1938.

e) O trecho entre Vila Inhomirim e Três Rios foi suprimido em 5 de novembro de 1964.

f) Inauguração definitiva da Estação Rodoviária Imperatriz Leopoldina de Petrópolis para trafego de ônibus entre cidades da região metropolitana do Rio de Janeiro: 19.12.1970

f) Transformação da extinta rodoviária metropolitana em terminal urbano de lotações com a inauguração do Terminal Rodoviário Leonel Brizola no Bingen em 2005.

 

Fonte:

Tribuna de Petrópolis, Acervo Histórico de Gabriel Fróes e Petrópolis no Século XX.




 

 

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