Petrópolis, 06 de Outubro de 2022.
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  RÉQUIEM POR UMA SOLUÇÂO

Data: 15/07/2014

 

RÉQUIEM POR UMA SOLUÇÃO

 

“Acabo de sair do Theatro Dom Pedro, onde me reuni com centenas de famílias atendidas pelo Programa Aluguel Social. Nesse encontro, assinei o aumento do auxílio oferecido pela Prefeitura, que já neste mês, passa de R$ 200,00 para R$ 500,00. Com essa medida, estamos cumprindo um compromisso assumido com essas famílias, durante o período eleitoral. Estamos lutando por uma cidade cada vez mais justa, garantindo que vivam com mais dignidade” (Rubens Bomtempo, prefeito de Petrópolis, em 14/07/2014)


RÉQUIEM POR UMA SOLUÇÃO
*Fabiano Marçal

Conforme muitos de vocês sabem, fui colaborador do terceiro governo de Rubens Bomtempo, de maio a agosto de 2013, atuando na Secretaria de Esportes, de onde eu saí para voltar a Região dos Lagos e começar uma nova jornada de trabalho na área de turismo e hotelaria. Por isso mesmo, por ter estado dos dois lados do mercado de trabalho nesses últimos 20 anos, parte atuando em redações de jornais, rários e TV’s, como repórter e produtor, parte atuando como assessor de imprensa de políticos, é que me acho no direito e dever de escrever esse artigo.

Acompanho a política como profissional de imprensa, desde o governo do ex-prefeito Gratacós e suas tentativas de implantar uma política habitacional em Petrópolis. De lá para cá foram várias tragédias (acabávamos de sair de uma das maiores delas, a de 1988, com 171 mortes confirmadas), em que um “Mar de Lama” foi editado pela assessoria do então candidato do PSB (o mesmo partido do atual prefeito) para apontar as “falhas e desmandos” do governo de Paulo Rattes. Lembro das carcaças dos carros da Comdep, colocadas em uma “grotesca exposição”, em volta do Palácio Amarelo.

Pois bem: passaram-se bem mais de 20 anos, e que o foi feito em termos de política habitacional para o município de Petrópolis é muito pouco, isso para não dizer praticamente nada! Um dos símbolos disso é o condomínio da Rua Ceará, no bairro Quitandinha, construído sobre um barranco, ainda na primeira passagens de Rubens Bomtempo pela Prefeitura, e que teve que passar por reformas estruturais. Ainda no ano passado, os problemas continuavam conforme mostra a reportagem do Diário de Petrópolis no link a seguir:

http://diariodepetropolis.com.br/integra.aspx?e=16637&c=00023

O governo do município, em 2004, orgulhava-se em ter entregue 700 unidades habitacionais para os moradores da cidade atingidos por enchentes e que habitam em áreas de risco. Com mais oitocentas e poucas unidades que o governo anunciou a construção em 2013, são pouco mais de 1,5 mil habitações populares, ou seja, apenas 10% do déficit habitacional da cidade, calculado pelos técnicos da própria Prefeitura. Se levarmos em consideração que o prefeito Rubens Bomtempo completou 42 meses (*) à frente do município, cumprindo o seu terceiro mandato, é muito pouco dado à gravidade do problema.

Como eu disse no começo do meu artigo, sou apenas um jornalista e não um especialista em geologia, adensamento, política habitacional e outras coisas (assim como se espera terem sido aqueles que ocuparam cadeiras de relevância na administração pública em todos esses anos), por isso, vou encerrar esse texto deixando para a análise de vocês do interessante estudo do Prof. Dr. Antonio José Teixeira Guerra e da doutoranda Maria do Carmo Oliveira Jorge, da UFRJ (LAGESOLOS) apresentado na Câmara dos Deputados, sobre as enchentes de Petrópolis em um comparativo de 1988 a 2013. Espero que a Prefeitura de Petrópolis e seus técnicos já o tenham avaliado há muito tempo.

http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-temporarias/externas/54a-legislatura/desastres-na-regiao-serrana-do-rio-de-janeiro/audiencias-publicas-1/apresentacao-do-prof.-dr.-antonio-jose-teixeira-guerra-professor-da-ufrj


* jornalista


(*) Nota FPP: a aritmética do Fabiano está incorreta. Aos 18 meses do 3º mandato, o prefeito Bomtempo não conta com 42, mas sim com 48+ 48 + 18 = 114 meses de mandato.

         No mais, belo trabalho.

         PhG




 

 

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