Petrópolis, 20 de Setembro de 2020.
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  ERVA DE PASSARINHO E ORQUÍDEAS

Data: 11/02/2016

 

ERVA DE PASSARINHO E ORQUÍDEAS

Philippe Guédon

 

 

            Se ambas carecem de hospedeiras, apresentam uma diferença crucial: a primeira sufoca até a morte a árvore que a sustenta, enquanto a segunda retribui melhor o abrigo, ofertando em troca a sua estonteante beleza.        

            A erva de passarinho é adequada imagem para os nossos partidos políticos. Criados para serem ferramentas da prática da democracia, cumprindo a vontade popular, aos poucos se arvoraram em cúpula do sistema. Viraram máquinas de poder e fortuna, carreiras pessoais e ambições desmedidas. Não produzem planos nem quadros, não capacitam seus militantes nem trabalham as suas doutrinas. Insano!.

            Foram eles a redigir a Constituição, são eles a legislar segundo a cartilha do “Matheus, primeiro os teus”. Cuidam deles mesmos, esquecidos do que um dia escreveram: “todo o poder emana do povo que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Atribuíram-se o monopólio de indicar candidatos, transformando as eleições diretas em indiretas, e colocaram as vaidades de punhados de dirigentes partidários acima da vontade de 143 milhões de eleitores. Transformaram os Executivos em fonte de renda e os Parlamentos em óperas bufas, onde os atos são os espaços entre os recessos e as férias... A ética virou objeto de mofa, as campanhas eleitorais são justas de marqueteiros.

            Que futuro enxerga Petrópolis neste breu? Teremos eleições municipais este ano, podemos sonhar com verdadeiros representantes do povo? O que nos propõem os partidos para nos tirar do atoleiro, novos programas de Governo, portas fechadas à participação de verdade, fuga diante dos grandes problemas, loas ao partido “pê” isso ou aquilo? Continuaremos, todos juntos, a afundar, descendo degraus quadrienais?

            Falemos de orquídeas, agora. E me refiro à nossa Saúde, pública e privada. Impossível Petrópolis não sofrer com as dificuldades oriundas da falta de recursos e das promessas furadas, que Estado e União nos impõem. Mas tenho tido ensejo de constatar que a área da Saúde em Petrópolis representa um senhor trunfo na qualidade de vida de nosso povo. Basta compararmos a nossa realidade com a dos Municípios próximos, Rio incluso. Circunstâncias me levaram a ser internado no Hospital UNIMED do Bingen e nos locais da antiga Casa da Providência. Ao final de meu décimo segundo ano de “prorrogação” de vida, sinto-me obrigado a tirar o chapéu para os médicos e os profissionais de saúde de nosso Município, e para esta organização tão peculiar que é a UNIMED-Petrópolis.

 

            Os filhos que moram ou trabalham no Rio, acompanhando a internação do patriarca, teciam elogios abundantes ao que é nosso e nem sempre valorizamos: proximidade de postos de saúde, UPAs, hospitais; atendimento caloroso e de alta qualidade, medicina e recursos atualizados, gentileza nos mínimos gestos. A Saúde prova que Petrópolis pode, sim, ser feliz tanto na área pública quanto privada. Para mim, o centro da questão é conseguir a libertação da ditadura partidária, erva daninha a sufocar quem a concebeu e sustenta. Queremos ser Petrópolis, não ornamento do “pê” qualquer coisa. É o que diz a Constituição...




 

 

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