Petrópolis, 01 de Outubro de 2020.
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  MONÓLOGO PARTICIPATIVO

Data: 21/11/2015

 

 

MONÓLOGO PARTICIPATIVO

Philippe Guédon

 

         Praticar a gestão participativa determinada pelo Estatuto da Cidade e jogar pingue-pongue são ambas atividades que exigem dois participantes. Pois em Petrópolis, de uma hora para outra, o Governo calou-se e fechou as suas portas. Pelo visto, a frase espirituosa que assegura que “não preciso de conselhos, sei errar sozinho”, continua firme e valiosa.

         E assim, o INK, as audiências públicas, a capacitação, a boa compreensão dos deveres e dos direitos das OSCIPs e ONGs, a já atrasadíssima reforma da estrutura dos dois Poderes, a adoção de uma política de recursos humanos e regime próprio de previdência social digna do nome, a gestão participativa institucionalizada, a substituição dos arremedos de planos de Governo pela gama de metas definida pelo Estatuto (Lei nº 10.257), tudo isso e muito mais foi cuidadosamente remetido ao arquivo morto, ficando o dito pelo não-dito e o escrito pelo nunca-escrito. Petrópolis é mais um Município onde ao cidadão é recomendado que vote e não bufe.

         A Frente Pró-Petrópolis não aceita viver este silêncio obsequioso. Não queremos continuar, “a nível de” Coletivo (homenagem ao PT de outros tempos), à espera dos próximas eleições, a torcer por mentes mais abertas. Que não virão, pois nosso sistema eleitoral foi adulterado pela introdução marota do inciso V do § 3º do artigo 14 da Constituição, aquela insanidade que gerou o monopólio partidário na seleção dos candidatos a cargos eletivos. Os eleitores foram divididos entre os de 1ª classe, os filiados a partidos, cerca de 10%, que podem (em tese, pois a realidade é bem mais feia) participar da seleção dos candidatos, e os de 2ª classe que se recusam a filiar-se a um de nossos partidos, os restantes 90%, obrigados a irem votar num dos candidatos impostos... Ao sistema dá-se o nome pomposo de eleições diretas através do voto igualitário. Há baitas divergências.

         Nas eleições vindouras, pois iremos votar nos candidatos que estão sendo selecionados em Brasília. Se não mudaram o seu estatuto, os atuais dirigentes do PHS que concentram os poderes de decisão sobre tudo e todos, são 4 (quatro). Exemplo interessante, pois não? E o TSE afirma “aprovar” as alterações dos estatutos partidários. Ficamos assim: o Governo não nos dá a mínima, e já podemos antever que, quando da transição, tudo vai continuar na mesma. Entre os dois momentos, haverá a fase feérica da campanha, onde os incômodos se vêem tratados como se fossem gente. Acabam de encurtar em uma semana essa fase anômala.

         Não é caso da FPP ir para casa e declarar vencedores por abandono aos que pregam a passividade popular. Que nasça um INK, com ou sem a presença do Governo. Que se ofereça capacitação às lideranças comunitárias, que se debata a estrutura administrativa e o desastre do RPPS, com ou sem Governo. E, sobretudo, por ser a raiz de todos os males, que se lute em prol dos candidatos avulsos e pelo fim da “partitocracia”, através de ações concretas e dizendo as pessoas que é possível, sim.

 

         Quando passar a birra do Governo, nossas portas estarão  abertas pois povo e representantes são gomos da mesma laranja.




 

 

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