Petrópolis, 18 de Novembro de 2019.
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  Sistema de ônibus perde 100 mil passageiros pagantes em 2019

Data: 20/10/2019

 

Sistema de ônibus perde 100 mil passageiros pagantes em 2019

De um lado, atrasos, quebras constantes de coletivos, viagens cada vez mais demoradas e a concorrência dos aplicativos de transporte. De outro, o crescimento do número de beneficiários de gratuidade e redução do número de pagantes. O resultado é a queda na capacidade de investimentos e grande preocupação com o futuro. As empresas pedem providências do setor público, entre elas o replanejamento dos itinerários e melhoria das vias. 

 

Ônibus: menos 100 mil passageiros pagantes
 
LUANA MOTTA - Redação Tribuna

A falta de incentivo ao uso do transporte coletivo passa por muito níveis, não só em Petrópolis, mas no país. Condições precárias das vias, atrasos, quebras constantes e, especialmente, o custo alto da tarifa têm feito com que a população opte cada vez mais pelo transporte individual e alternativo. Dados do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários de Petrópolis (Setranspetro),mostram que comparando os números de 2018 com os de 2019, o sistema de transporte público no município teve menos 100 mil transações pagantes. Segundo o sindicato, se continuar a perda de usuários, o sistema de transporte público no município entrará em colapso.
Em 2018, a média era de 3,3 milhões de transações pagantes por mês, em 2019, este número caiu para 3,2 milhões. “No Brasil há a lógica de que há o privilégio do transporte individual, não há investimento para o uso do transporte coletivo. Com o passar dos anos muitas pessoas foram perdendo o interesse pelo transporte público. E fomos perdendo também para o transporte por aplicativo”, o que hoje é considerado o principal fator que está gerando a queda das demandas, segundo Carla Rivetti, gerente do Setranspetro.
“Sempre que posso, faço o calculo da tarifa no aplicativo antes de parar para esperar o ônibus. Na maior parte das vezes compensa mais ir de Uber ou 99, porque tem conforto e a tarifa vale a pena”, disse a estudante Vanessa Freitas. A estudante não é a única. No Terminal do Centro, usuários disseram à Tribuna que é comum “racharem” uma corrida por aplicativo para ir para casa. “Às vezes juntamos três ou quatro que estão na fila e sai mais barato do que a passagem e é mais rápido”, disse uma usuária.
Segundo o sindicato, os pagamentos em dinheiro reduziram em 8% até setembro deste ano. São menos 1,2 milhão de passagens, isso representa R$ 5 milhões em dinheiro. Em 2018, já tinha havido uma redução de 6%, em comparação a 2017. A arrecadação do transporte público gira em torno de R$ 15 milhões mensais. Hoje, os principais gastos das empresas estão divididos em grupos de custos fixos e variáveis, conforme explica a gerente do Setranspetro. “O principal custo é com a folha de pagamento e os encargos, que representam 50% da arrecadação. O segundo maior custo é com o óleo diesel e os itens de rodagem, que superam 25%”, disse.
Além disso, os usuários que possuem algum benefício de gratuidade continuam a aumentar. Estudantes e pessoas com alguma deficiência física que passam pelas catracas, representam 35% do total das transações. Mensalmente são realizadas 1.270.000 de transações gratuitas, sem contar os idosos, que não precisam passar pela roleta, impossibilitando a contagem.
Nas ruas, os usuários justificam o desinteresse pelo transporte público pela precariedade do serviço. “A tarifa é caríssima, e o serviço é péssimo. Uso o transporte público por falta de alternativa”, lamenta a costureira Alda Medeiros. A técnica de enfermagem Luana de Lima disse que usa o transporte público para o trabalho, diariamente, mas que tem compensado mais usar o transporte por aplicativo. “Onde eu moro o ônibus quebra diariamente, as ruas estão só buracos. Aí junta com o preço da passagem que está um absurdo, fica difícil pra gente”, disse Luana, que é moradora da Lopes Trovão.
“Reconhecemos que é um valor alto para quem paga, mas que também não é suficiente para arcar com todas as despesas”, disse a gerente do Setranspetro. Segundo Carla, houve envelhecimento da frota, pela falta de capacidade de investimento, mas que isso tem se agravado pelo péssimo estado de conservação dosistema viário, falta de pavimentação, topografia íngreme, “tudo isso sobrecarrega a manutenção dos veículos”, completa.
A redução no número de usuários e ainda o alto custo da passagem não permitem fechar a conta. De acordo com o cálculo feito pelo sindicato, só neste ano já existe um impacto na tarifa de R$ 0,21 de defasagem em razão da queda no número de passageiros pagantes. O sindicato afirma que, se continuar a perda de usuários, para evitar o colapso, algumas medidas podem ser adotadas pelas empresas, como a diminuição da frequência de ônibus, viagens e horários. A frota atual em Petrópolis é de 394 ônibus, o que segundo o Setranspetro, já é superior à média de veículos por habitante, comparado a outros municípios. Enquanto em outras cidades há um coletivo para cada 1 mil habitantes. Em Petrópolis, há um veículo para cerca de 700 habitantes.
“Para evitar a crise, precisamos buscar soluções de financiamento e redução de custos obsoletos. A redução e isenção tributária é uma forma. Otimização, diminuição de linhas sobrepostas, criação de faixas exclusivas, redução de mão de obra obsoleta”, sugere a representante do Setranspetro. Incentivos como subsídio público para gratuidade, é outra alternativa apontada pelo Sindicato. Há alguns anos, o município subsidiava parte das passagens dos estudantes da rede municipal. Que representa 22,5% das transações, são 285 mil transações mensais.
A Prefeitura foi consultada sobre os apontamentos feitos na reportagem, e disse que vem trabalhando para melhorar as vias da cidade. E esta semana iniciou o programa “Prefeitura Presente”, onde já atendeu 50 ruas em 20 bairros.
 

 




 

 

Área do Município: 791.144 km² (2018)
População estimada (2019): 306.191 habitantes (97,4% alfabetizada)
Densidade Demográfica (2010): 371,85 habitantes/km²
PIB (2016): R$ 12.690.967.000,00 (R$ 42.564,57 per capta)
IDH Mun. (2010): 0,745 (13º/92 no RJ) - Mort. Infantil: 10,97 óbitos/mil nasc. (2017)
Fonte: IBGE
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