Petrópolis, 06 de Abril de 2020.
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  Liberdade de imprensa - Luiz de Mello e Souza

Data: 21/01/2020

 

Liberdade de imprensa

Luiz de Mello e Souza - Médico radiologista


Assunto antigo. Possivelmente, se investigarmos, veremos que a origem foi a criação da imprensa com “tipos” móveis, por Gutemberg, meados do séc. XV. A reprodução fácil de livros - e mais tarde, de periódicos e jornais - representou a divulgação de ideias. Ótimo para muitos, péssimo para alguns, de comportamento incorreto.

Ao longo dos tempos foi ficando evidente a importância da divulgação de ideias e a inconveniência (e inutilidade) de restringir o pensamento. William Blake (1757-1827), poeta, gravador e tipógrafo inglês já dizia: “A imprensa não é para servir aos governos, mas aos governados. Não se cala a imprensa. Cala-se o povo”.

Mas, e os excessos? Creio que é do crítico literário Agripino Grieco a frase, quando se refere a pessoas crédulas, “...serenamente convictas que em letra de forma não há bobagens e se é impresso deve ser aceito”. É necessário espírito crítico e ter em mente que calúnia, difamação, injúria não são prerrogativas da liberdade de imprensa, são crimes e como tal devem ser tratados.

Liberdade de expressar o pensamento é fundamental, mas para toda liberdade existe um limite: onde começa a liberdade do outro. Limites não podem ser impostos por outros, (leis, governos) mas pelo respeito aos outros. Respeito humano torna limitada a liberdade. São Paulo (Carta aos Coríntios, 6.12): “Tudo me é permitido, mas nem tudo é útil. Tudo me é permitido mas não me deixarei dominar por nada”.

Digo sempre: discordar é viver. Pessoas não são iguais, portanto não podem pensar de modo igual. Necessário divergir, contestar, argumentar, mas com consideração e tendo em mente que qualquer um pode errar.

Do jornalista Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra”. Do apresentador da CBS TV nos EUA: “Se todos pensam igual é porque ninguém está pensando”. Frases diferentes, mesma ideia. E, claro, a mídia forma mentes, cérebros, público. Imprensa venal, mercenária, deforma o público.

E tudo isso leva a Charlie Hebdo em Paris e Porta dos Fundos no Rio: publicações, desenhos, desrespeitaram religiões e crenças. Pode? Pode, mas não deve. Levaram a reações exageradas: 11 mortes, danos materiais. Pode? Não, mas foi provocado. Faça-se justiça levando em conta mau comportamento dos dois lados. Papa Francisco: todas as religiões têm dignidade. Desrespeito? Provocação? Não compre, ou compre, leia e devolva ao jornaleiro para encaminhar de volta como encalhe. Não prestigie. Não comente. Não anuncie nem deixe anunciar nessa publicação.

 

melloesouzaluiz@uol. com.br.




 

 

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