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  O necessário olhar social - Bernardo Filho

Data: 08/12/2019

 

O necessário olhar social

Bernardo Filho Advogado e jornalista


O centro desapareceu do processo político: uma constatação óbvia. Somente espera ser reconquistado e busca um reconhecimento, mas nada faz para isto. Vive uma letargia incompreensível e assustadora. O que se enxerga é que nomes como Doria, Huck, Maia e Witzel não aglutinam, tampouco entusiasmam.

A esquerda, por sua vez, mantém o mesmo discurso e repete o “modus operandi,” sem qualquer eficácia ou efetividade. Por conta disto, e se não houver uma mudança radical (talvez impossível para quem não faz “mea culpa” e sempre coloca a culpa nos outros) uma aproximação da esquerda com o centro não pode ser considerada como possível. A esquerda dificilmente ocupará o espaço que o centro está deixando à deriva.

Reside no momento, o aumento da desigualdade como o grande debate. Tampouco esquerda quanto direita possuem respostas para enfrentar este problema. O centro nunca se preocupou com isto. A esquerda tem uma fórmula assistencialista e sem porta de saída e a direita está mais preocupada na aprovação das reformas, deixando de lado este debate sem compreender ser este, talvez, o cerne principal de estabelecimento de uma estrutura para futuro.

Programas de saúde e programas sociais são as grandes falhas deste primeiro ano de governo. Não basta arrumar a economia sem olhar as pessoas. A retomada dos empregos está acontecendo, mas sem a velocidade necessária. Com tantos desempregados é impossível conter a desigualdade social. Precisamos sim, e urgentemente, de reformas sensiveis sob o ponto de vista social, que deveriam andar par a par com as reformas econômicas.

E inquestionável neste momento, a necessidade das reformas econômicas. Questiona- se sim, a repartição dos custos e quem vai pagar a conta. Mas nada se fala sobre uma grande reforma social.

A dicotomia esquerda / direita perdeu seu sentido. Discussão ultrapassada. Não há dúvidas de que a direita está ocupando os espaços a ela negados por 25 anos. O que precisa para se consolidar de vez, é um reforço dos programas de distribuição de renda.

Se isto acontecer, o centro buscará automaticamente, alinhamento com a direita que estará, como nunca esteve, pronta para 2022.




 

 

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