Petrópolis, 05 de Dezembro de 2019.
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  Atestado de imbecilidade - Luiz de Mello e Souza

Data: 28/11/2019

 

Atestado de imbecilidade

Luiz de Mello e Souza - Médico radiologista


Tema perigoso. Pode melindrar, ofender, ferir o sentimento. Mas diante dos acontecimentos nos últimos tempos, no mundo todo, no Brasil e nesta cidade imperial, decidi aborda-lo. É importante lembrar aos leitores mais esclarecidos que atentem ao noticiário e comentários de jornal e TV, e que observem o que tem sido feito e o que não é dito ou apresentado.

Antes de qualquer coisa é preciso definir do que falamos. Nos dicionários o imbecil é o fraco de espírito, tolo, parvo, limitado. Também fraco do corpo ou covarde. Mas falamos do idiota, do débil, não do corpo mas do espírito, do atrasado intelectual, sem ideias ou juízo.

O atestado de que falo não se obtém no cartório ou em repartição. A pessoa (homem, mulher) é que passa a si própria esse atestado. Auto fornecido, autenticado, exibido, apresentado. Através de declarações, atitudes, propostas totalmente fora da lucidez, da lógica, das evidências, do conhecimento. Li, não lembro onde, que ninguém está livre de dizer bobagens, mas é imperdoável fazê-lo com solenidade, com empáfia. Mas é muito comum. Onde encontrar o atestado? Olhe em torno, preste atenção, reflita, leia nos jornais, veja na TV. E cuidado com repórteres que nem sempre sabem o que estão apresentando e, pressionados pelos chefes, pela necessidade de imediatismo, não tem tempo para aprender ou investigar mais minuciosamente. Cada um deve procurar em redor, observar com detalhe o que vê, meditar sobre o que lê, avaliar a veracidade e encontrará atestados.

Comuníssimos em política, com ignorantes que se julgam sábios (sábias). Encontrados mais esporadicamente com artistas, e sempre com pessoas vaidosas que gostam de aparecer, mas não tem paciência para se informar, aprender, pesquisar determinado assunto. Poucos tem consciência do que não conhecem, das suas limitações. Acreditam, por ouvir dizer, por leitura superficial, por receberem no celular, sem avaliar se é fato, falso ou exagerado. Surgem mais raramente de modo coletivo, através de votações ou levantamentos de opinião em grupo populacional: um imita o outro, todos irmanados na idiotice. Não há predileção por região geográfica, raça, posição social ou qualquer outra característica individual. Ocorrem no mundo todo, embora com mais frequência em subdesenvolvidos.

Meu pai, falecido em 1990, longe de qualquer situação social ou política da atualidade, dizia: “Todo imbecil, por pior que seja, sempre encontra outro imbecil ainda maior, a quem admira e imita.” Válido hoje. Se nesta apresentação, fui vago, pouco específico, é deliberado. Cada um deve procurar em volta, observar com detalhe o que vê, meditar sobre o que lê, avaliar a veracidade. E a todos desejo que não levem a sério lastimáveis declarações e atitudes dos noticiários, mas que se divirtam (ou se defendam) com as bobagens atestadas por quem não tem ideias, e se tem são absurdas, irrealizáveis, estratosféricas ou que outro adjetivo encontrem para defini-las.

 

melloesouzaluiz@uol. com.br




 

 

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