Petrópolis, 18 de Novembro de 2019.
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  O choro do transportador público - Bernardo Filho

Data: 27/10/2019

 

O choro do transportador público

Bernardo Filho - Advogado e Jornalista

 

O atraso sabe se defender. Domingo passado uma notícia aqui na Tribuna de Petrópolis, me chamou muito a atenção: o sistema de ônibus perdeu 100 mil passageiros pagantes em 2019.

Dados divulgados (não auditados, diga-se de passagem e por oportuno) pelo Sindicato de Empresas de Transportes Rodoviários de Petrópolis (Setranspetro) dizem que comparando os números de 2018 com os de 2019, o sistema de transporte público no Município teve menos 100 mil transações pagantes. Interessante notar que 2019 ainda não terminou, mas os números já estão tabulados.

O argumento falacioso de que no Brasil há privilégios ao transporte individual, não havendo investimentos para o uso de transporte público, só serve para tentar fortalecer o discurso a favor das empresas de ônibus, em busca de redução de impostos e subsídios para aumentar seus lucros.

A exploração do transporte público, na maioria dos casos, é fruto de concessão governamental e é uma atividade privada. Se é uma atividade privada e seus gestores entendem que não estão tendo um lucro satisfatório, que entreguem a concessão e mudem de ramo.

O pleito de subsídios públicos para compensar as gratuidades é vergonhoso. Já foi levado a efeito no passado, mas não há mais espaço na administração pública para este retorno. Basta de o governo ter que estender a mão à iniciativa privada com incentivos e subsídios que no “frigir dos ovos” não são repassados como benefícios à população e só servem para engordar os lucros dos acionistas das empresas.

A notícia traz outro dado importante: segundo o Setranspetro e por cálculos internos deste sindicato, só neste ano, já existe um impacto na tarifa de R$ 0,21 de defasagem em razão da alegada queda do número de pagantes. Na minha terra, isto se chama de “cavadinha”, ou seja, já estão de olho no valor que pretendem de aumento no ano que vem.

A falta de seriedade do poder público que deveria exigir auditorias externas públicas nas planilhas que o Setranspetro apresenta é uma lamentável realidade, quando se tem a passagem mais cara do estado se levarmos em consideração km percorrido x preço da tarifa. Por certo, a otimização do sistema se impõe, com um plano sério de mobilidade urbana (que o Município aguarda há mais de 10 anos) a revisão de linhas e seus destinos sobrepostos, a eliminação de faixas exclusivas como temos hoje na Rua Souza Franco (e outras que a CPTrans planeja implantar); passou da hora de dar um basta no amadorismo.

Buscar culpados nos Uber, no 99, brigar para não haver mototaxistas na Cidade, querer coibir qualquer outra forma de atender à locomoção dos cidadãos, não é bom para as empresas de ônibus, que deveriam sim, melhorar a qualidade de seus serviços, para reconquistar usuários e serem efetivamente mais transparentes nos seus números. Mas fica cada vez mais patenteado, que o que menos importa para estes senhores é realmente prestar um bom serviço à população.

Gostaria de assistir a menos ônibus quebrados todos os dias, gostaria de ver cumprimento dos horários, gostaria de ver mais respeito aos usuários com veículos mais limpos e precisar mais ouvir as lamúrias de empresários de empresas de ônibus sempre insatisfeitas.

 



 

 

Área do Município: 791.144 km² (2018)
População estimada (2019): 306.191 habitantes (97,4% alfabetizada)
Densidade Demográfica (2010): 371,85 habitantes/km²
PIB (2016): R$ 12.690.967.000,00 (R$ 42.564,57 per capta)
IDH Mun. (2010): 0,745 (13º/92 no RJ) - Mort. Infantil: 10,97 óbitos/mil nasc. (2017)
Fonte: IBGE
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