Petrópolis, 14 de Outubro de 2019.
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  Latitudes políticas e longitudes sociais - Bernardo Filho

Data: 15/09/2019

 

Latitudes políticas e longitudes sociais

Bernardo Filho - Advogado e Jornalista

 

Semana passada escrevi um artigo onde chamei a atenção sobre a postura da esquerda. O retorno, por parte de meus leitores, foi muito grande. Não busco aplausos, discuto ideias. Não busco louros, mas sim, respostas. O confronto de situações e suas análises, talvez nos levem a isto.

Escrevi no citado artigo, que a única crítica que faria até o presente momento ao governo, seria a falta de um olhar mais social para a população brasileira. Primeiro, por ver que no campo econômico estamos indo bem, pois as reformas (previdência e fiscal) estão caminhando, mas não vejo discursos e tampouco qualquer ação, que me faça acreditar que exista um propósito com relação à melhoria das condições sociais.

Sofremos de uma desigualdade brutal por conta de uma distribuição de renda que precisa de caminhos de reversão. Talvez a criação de um cinturão de proteção social, como já foi aventada por alguns sociólogos, seja um dos caminhos. O início do programa, conhecido hoje como “Bolsa Família”, em sua gênese estava mais correto do que agora.

O “Bolsa Educação”, criado em 2001 por FHC, tinha uma lógica intrínseca das mais importantes, já que vinculava o auxílio à frequência escolar. Em 2003, Lula reuniu três programas criados por FHC, Bolsa Educação, Bolsa Alimentação (Fome zero) e Vale Gás em um único programa: o Bolsa Família, desvinculando-o da educação. Nisto reside o grande problema que enfrentamos hoje, de má e equivocada distribuição de renda. Criamos um assistencialismo, que não provoca resultados, somente desídia.

Que fique claro, que não estou de forma alguma, a fazer a defesa da extinção do Bolsa família, mas sim de um reestudo, até com sua ampliação e uma maior proteção, inclusive com a criação de mecanismos de resultados na sua rede de proteção. O que fazemos hoje é transferir renda, parca renda e lavamos as mãos. Chega a ser um programa desrespeitoso com a parcela da população que recebe o Bolsa Família; e o mais grave, foi que serviu a um escuso propósito de compra de votos pelo PT, durante 16 anos.

O atual governo precisa urgentemente, criar um política de aproximação da população com o governo. Esta busca de proximidade dar-se-á na medida do sucesso de novas políticas sociais.

Os discursos de combate à esquerda e a polarização estão em vias de se esgotar. Nacionalismos não servirão como base única de sustentação ao governo. Conversas de defesa da soberania, não se sustentarão de per si, pois, e a propósito, quando lecionei Teoria Geral do Estado me deparei com a obra de Machado Paupério “ Teorias Democráticas do Poder” onde o autor apresenta cerca de 200 teorias diferentes acerca da Soberania, inclusive a Teoria Negativista de Soberania de Deguit.

Ou o governo repensa sua estratégia no âmbito social ou em pouco tempo estará enfrentando sérios problemas, até agora não muito bem avaliados.




 

 

Área do Município: 795.798 km²
População estimada (2013): 297.888 habitantes (95% alfabetizada)
Densidade Demográfica (2013): 371,85 habitantes/km²
PIB (2011): R$ 9.212.328.000,00 (R$ 30.925,47 per capta)
Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (2010): 0,745 (13º dentre 92 no RJ)
Fonte: IBGE
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