Petrópolis, 03 de Junho de 2020.
Matérias >> Conferências
   
  Transporte público segue prejudicado pelo trânsito

Data: 07/04/2014

Transporte público segue prejudicado pelo trânsito 

 

Diário de Petrópolis, 07/04/2014 - Edson Cunha - edsoncunha@diariodepetropolis.com.br

Falta de mobilidade atravanca Petrópolis

Transporte público de Petrópolis e passageiros não estão andando na mesma linha. Isso porque o atraso nos horários dos ônibus, tumultos nas filas, principalmente nos terminais e o alto preço da passagem estão deixando os petropolitanos indignados. Vale lembrar que o preço da tarifa será reajustado nesta segunda-feira, dia 7 de abril, dos atuais R$ 2,65 para R$ 2,80. Em contrapartida 100% das linhas serão integradas.
Mas a maioria dos passageiros entrevistados pelo Diário afirma que o valor da passagem está muito caro, principalmente em relação à distância percorrida pelos ônibus do Centro para determinados bairros, como o caso da 24 de Maio, e o tempo perdido no trajeto nos horários de rush. 
Para se ter uma ideia, uma linha do Terminal do Centro para a Marechal Hermes que em dias normais leva apenas 15 minutos, atualmente o mesmo trajeto é percorrido em 1 hora e 20 minutos em dias de congestionamentos.
- Quando a gente chega na Avenida Ipiranga não consegue andar mais. Não tem como cumprir os horários - explicou um fiscal da Viação Cidade Real, empresa responsável pela linha.
O fiscal que pediu para não ser identificado contou que naquela via o carro fica ´agarrado´ nos engarrafamentos e se perde muito tempo.
- Muitos passageiros dizem que o motorista  ´come´ viagem, mas não é isso que acontece - garantiu o fiscal.

Vários fatores para atrasos

Segundo Carla Rivetti, assessora de comunicação do Sindicato das Empresas de Ônibus de Petrópolis (Setranspetro), vários fatores contribuem para o atraso nas linhas dos ônibus: excesso de quebra-molas, estacionamento irregular e os muitos buracos nas ruas petropolitanas.
- Esses fatores atrapalham o cumprimento dos horários das linhas - explicou Carla.
Ela garantiu ainda que a população pode perceber perfeitamente que os atrasos não são culpa dos profissionais das empresas de ônibus.
- Algumas linhas podem dobrar o tempo de trajeto devido a essas retenções - argumentou a assessora.
E Carla Rivetti tem razão. Depois de esperar 40 minutos, das 18h às 18h40, o repórter do Diário apanhou o ônibus da linha 414 (Chácara Flora) que saiu do Terminal do Centro com destino ao bairro.
Tal linha leva em média entre 15 a 20 minutos do terminal até o bairro, passando pela Rua Santos Dumont. Na Sexta-feira foram necessários 40 minutos demorados usando o mesmo trajeto. O motivo: congestionamentos nas ruas Santos Dumont, Dr. Sá Earp (a partir da Clínica Pedro II), Padre Feijó, Rua Teresa, após a entrada do Supermercado Extra e antiga Rua Chile. Um carro enguiçado  em frente à entrada do estacionamento do Hipershopping ABC também contribuiu para o atraso da linha.
O Setranspetro para justificar os atrasos, citou como exemplo a linha Centro/Comunidade do Neylor. Normalmente o trajeto é feito em 25 minutos, mas nos horários de pico pode dobrar, passando dos 50 minutos.
- O Setranspetro defende corredores exclusivos para os ônibus e maior fiscalização contra os estacionamentos irregulares. Muitos quebra-molas provocam retenções - contou Carla.
Quem também reclama dos constantes atrasos dos ônibus é a auxiliar de produção Rosângela Maria, de 54 anos. Ela garante que em média espera 75 minutos pelo ônibus da linha Dr. Thouzet.
- O atraso acontece geralmente nos horários de pico. Quem fica no ponto da Rua Monsenhor Bacelar (próximo ao Relógio das Flores) sofre - afirma a passageira.
Outra que também criticou os atrasos e ainda o aumento do valor da passagem foi a dona de casa Sueli Maria Fonseca Corrêa, de 57.
- O aumento está fora da realidade, já que o transporte público não é bom. Eu até saio pouco de casa, mas andar de ônibus é estressante - garantiu Sueli que mora na Rua Pedro Ivo.

Tumulto no Terminal do Centro

Os passageiros não se entendem no Terminal Imperatriz Leopoldina. Das 16h até às 19h30 o tumulto é generalizado. São ônibus parando fora de suas baias o que provoca ainda mais tumulto. Na sexta-feira, um coletivo que faz a linha 432 (Vila Felipe via Duas Pontes) parou na baia 9 na vaga dos ônibus das linhas 414 (Chácara Flora); 419 (Sargento Boening via Rua Teresa); e 433 (Sargento Boening via Duas Pontes).
O resultado não poderia ser diferente. Os passageiros não se entendiam e a confusão na porta dos ônibus foi geral.
- Hoje (sexta-feira) ainda tá tranquilo. Tem dia que sai até briga - contou o bombeiro hidráulico Luiz Cláudio Pereira, de 47 anos.

CPTrans dá explicações aos usuários

Por meio de nota enviada pela Assessoria de Comunicação Social da Prefeitura, a CPTrans informou que seis empresas de transporte coletivo atuam no município e contam com uma frota de 356 veículos, distribuídos nas 222 linhas de ônibus que atendem a cidade. O percurso mais longo é feito pela linha 602 – Vale das Videiras, com 69,9 kms (ida e volta), seguido pela linha 101 – Rocio, com 53 km (ida e volta). Em terceiro lugar, ambas com 28 kms (ida e volta), duas linhas se destacam: linha 450 – Morin x Terminal Bingen e 801 – Jurity.
A companhia salienta que tem trabalhado para melhorar o trânsito do município e audiências públicas serão iniciadas no dia 10 de abril, visando apresentar à população ações que serão financiadas pelo Programa PAC 2 Mobilidade - Médias Cidades, que têm como objetivo melhorar a mobilidade urbana. Além disso, no último dia 31 de maio, houve a Conferência das Cidades, onde foram discutidas diretrizes para início da elaboração do Plano de Mobilidade Urbana de Petrópolis. Vale ressaltar que a mobilidade urbana é um dos temas prioritários do governo.  

Curiosidades

Atualmente Petrópolis conta com seis empresas (Cascatinha, Cidade das Hortênsias, Cidade Real, Petro Ita, Transpal e Turb); com 222 linhas urbanas; e uma frota total de 356 veículos, além dos ônibus executivos. No trajeto Centro/Correas e Centro/Itaipava é perdido uma viagem por hora devido aos entraves, como quebra-molas e estacionamento irregulares. Em Petrópolis de cada três habitantes um possui veículo.
- Os ônibus das linhas formam um comboio devido às retenções o que gera os atrasos  - explicou a assessora de comunicação do Setranspetro.




 

 

DADOS MUNICIPAIS EQUIPEWEB DADOS MUNICIPAIS DADOS MUNICIPAIS