Petrópolis, 13 de Julho de 2020.
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  O discurso da oposição

Data: 04/11/2014

 

O discurso da oposição

O povo brasileiro, ainda que por estreita margem, elegeu Dilma Rousseff e a quer governando o país por mais quatro anos. Ao mesmo tempo entendeu que Aécio Neves deve situar-se no campo da oposição, com o mesmo discurso que o levou a obter mais de 51 milhões de votos.

Dilma, o PT e seus aliados conquistaram novo mandato presidencial em cima do ódio e da obsessão de vencer a qualquer preço, fatos que marcaram a campanha e deixaram cicatrizes profundas em seus adversários. 

Falar agora em diálogo e em estabelecer pontes, como anunciou a presidente, com a vileza que dominou a atuação petista no processo eleitoral, é um escárnio ou despropério. O certo é que houve e há claro antagonismo entre projetos e propostas, caminhos e visões sobre o Brasil, todos expostos ao longo da campanha. De um lado, Dilma Rousseff, com seus ranços estatizantes, atrasados e assistencialistas, leniente com a responsabilidade fiscal e tolerante com a inflação, a corrupção e o aparelhamento da máquina pública pelo PT. De outro, Aécio Neves, contemporâneo e desenvolvimentista, com percepções e concepções oxigenadas pela economia livre de peias imobilizadoras, valorizada a meritocracia como instrumento eficaz de modernização da administração federal voltada para os interesses concretos da sociedade.

Portanto, razão assiste ao senador Aloysio Nunes Ferreira, vice de Aécio e vítima de acusações ultrajantes do PT e de seus sequazes, ao recusar o diálogo proposto pela presidente. Sustenta que Dilma não dispõe de autoridade moral para acenar com qualquer possibilidade de acordo político, porquanto a oposição correria o risco de ser apunhalada pelas costas. Acrescenta que jamais será sócio de um governo falido, nem cúmplice de um governo corrupto. Na mesma linha, manifestou-se o ex-presidente Fernando Henrique, em artigo publicado na imprensa.

É evidente que cabe à oposição fazer oposição e o discurso deve ser implacável, como fez com êxito o PT no passado, tanto é que conquistou o poder e nele permanece até hoje. E há nomes que podem interpretar esses sentimentos e aspirações, sob a liderança de Aécio, ao lado de José Serra, Tasso Jereissati e do próprio Aloysio Nunes Ferreira.

Motivação é que não falta. Vencida a eleição, Dilma começa a fazer o que combateu e disse que não faria. Elevou logo de saída os juros básicos da economia, decisão atribuída aos tucanos no passado e tão criticada durante as eleições. Em seguida, como é natural, virão os aumentos sucessivos nas contas de energia, gasolina, diesel e gás, com seus inevitáveis reflexos sobre os custos do transporte, alimentação e em vários outros setores, mantendo-se a inflação fora de controle e ameaçadora.

Impõe-se, de mais a mais, o combate sem tréguas à corrupção no governo. E os escândalos do Petrolão continuam em pauta, com desdobramentos imprevisíveis, que poderão levar a uma crise institucional de largas proporções, uma bomba a cada dia, detonada pelos delatores. Lá atrás, ao eclodir o caso do Mensalão, a oposição, quando tinha todas as condições de obter o impeachment de Lula, preferiu deixar o então presidente sangrando até esvair-se por completo. Um erro imperdoável. Ao contrário do que esperavam os oposicionistas, ao invés de desfalecer, reelegeu-se, e continua mais insultuoso do que nunca, lépido e fagueiro.

A hora é da oposição e basta saber aproveitá-la, no interesse maior da nacionalidade, da moralidade, da ética e dos bons costumes republicanos.

 

paulofigueiredo@uol.com.br

 




 

 

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