Petrópolis, 06 de Junho de 2020.
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  COVID-19: O SUPER VILÃO DA RECESSÃO QUE VIRÁ - Mairom Duarte

Data: 24/04/2020

 

COVID-19: O SUPER VILÃO DA RECESSÃO QUE VIRÁ

Mairom Duarte - Consultor


O COVID-19 nos pegou, indistintamente. E está criando um transtorno terrível em nossas vidas. Em um futuro que esperamos estar próximo, isso vai passar. Inevitavelmente, teremos recessão. E há um aspecto que até agora ninguém tocou de forma clara: por que haverá recessão? Por que todos seremos afetados?

Vivemos em sociedade e precisamos um dos outros para sobreviver. Em todos os aspectos. Qualquer produto ou serviço que usamos hoje, foi produzido e chegou até nós pela intervenção de outras pessoas. Pessoas invisíveis. Nós mesmos fazemos parte dessa invisibilidade. E sem a ação de cada um, o próximo não estaria vivendo.

Em última instância somos consumidores. Precisamos consumir para viver. No mínimo comer, nos alimentar. E, pensando somente nesse aspecto (alimentação), vou tentar exemplificar como essa cadeia poderá entrar em colapso. E, por conta disso, nos levar a uma recessão econômica. E esse conceito vale para qualquer outro aspecto. Nossa situação atual: tudo está fechado.

O tipo de negócio obrigado a fechar será o que sofrerá de imediato. E falo especialmente das micro e pequenas empresas. Quem tem suas finanças na mão (conhecendo sua situação atual de saldo em caixa, o que tem para receber e o que tem para pagar nos próximos períodos) poderá saber corretamente qual o tamanho da dificuldade que terá que passar. Sem dúvida vai passar dificuldades, mas terá possibilidade de ver uma luz no fim do túnel. Imagine a empresa que não tem essa informação? Entrará em um túnel sem luz e sem destino. E, garanto! A maioria das micro e pequenas empresas não tem essas informações na mão.

O comércio de alimentos pode abrir. As empresas que são fornecedoras e abastecem esses locais também devem funcionar para fazer o suprimento de mercadorias. Teoricamente esta área da economia estará equacionada.

Em todos esses dois casos (comércio e fornecedores), a força motriz vem das pessoas, dos empregados que se deslocam de suas casas para trabalhar. Aí vai a primeira pergunta: como irão se movimentar se parte do transporte público não funciona?

Pronto: primeiro impasse já se apresenta e vamos parar por aqui. Se menos gente vai trabalhar, os fornecedores não conseguem produzir a quantidade requerida. Com isso, não conseguem abastecer plenamente esse comércio que pode ficar aberto.

Preciso continuar? Somente em um pequeno aspecto inicial vemos claramente que a coisa não fecha. E isso se propaga no resto da cadeia. Se os fornecedores entregam menos, o comércio vende menos. Ambos vendendo menos não conseguem pagar os salários de seus empregados. Muitos ficarão desempregados. A parcela que perdeu o emprego compra nos locais que eles mesmos abastecem ou trabalham. E não terão dinheiro para gastar. E, com isso, menos dinheiro circula. E a coisa se amplifica. Até que toda a cadeia fique inviável.

E eu pergunto: há esse risco? Dessa inviabilidade? Claro que há! Um dos modos de se evitar é o governo intervir nesse processo. E ele o fará, em maior ou menor escala. O resultado, infelizmente, é a recessão. Sem dúvida ela virá. O que temos que torcer agora é para que esta seja a menor possível e que o governo faça seu papel.

 

mairom.duarte@csalgueiro.com.br 




 

 

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