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  Intenções de votos nulos e em branco disparam no Rio

Data: 27/10/2016

 

Intenções de votos nulos e em branco disparam no Rio

 
• Feriado na sexta-feira também pode impactar número de abstenções
 
Marlen Couto - O Globo
 
Os eleitores que pretendem anular ou votar em branco no Rio chegam a 19%, mais do que o dobro de 2008, quando também houve 2º turno, de acordo com o Datafolha. A abstenção também pode ser alta em razão do feriado do Dia do Servidor, amanhã. As intenções de voto em branco e nulo mais que dobraram na corrida pela prefeitura do Rio em comparação a 2008, último pleito em que houve segundo turno na cidade. É o que indica o cruzamento entre a pesquisa divulgada anteontem pelo Datafolha e um levantamento, também do instituto, realizado oito anos atrás, quatro dias antes da eleição em que Eduardo Paes (PMDB) venceu, por uma diferença de apenas 1,6% dos votos, Fernando Gabeira (PV). Se em 2008 os eleitores que pretendiam anular ou votar em branco eram 9% dos entrevistados, hoje, esse grupo soma 19% do eleitorado. Em 2012, quando houve apenas primeiro turno, essa taxa era de 8%, também às vésperas do pleito.
 
De acordo com o Datafolha, a participação dos votos em branco e nulos não variou em relação à pesquisa anterior, divulgada no último dia 15, e mantém o patamar do primeiro turno, quando 677.434 eleitores (18,26% do total) decidiram não escolher nenhum dos candidatos ao votar. Em geral, no entanto, esse índice tende a diminuir com a proximidade da eleição, o que não aconteceu.
 

Além da alta de votos em branco e nulos, outro fator deve ampliar também as abstenções, o feriado do Dia do Servidor Público, comemorado na sexta-feira que antecede o pleito, e que pode incentivar o deslocamento de parte dos moradores da cidade para longe de suas zonas eleitorais. Algumas universidades estão transferindo o feriado para segunda-feira, o que estimula emendá-lo com o de Finados, na quarta-feira seguinte. Em 2008, o feriado, transferido de terça para quinta-feira por decreto do então governador Sérgio Cabral, também antecedeu o domingo da eleição. Naquele ano, o Rio registrou alto índice de abstenção: 927.500 eleitores, ou 20,5% do total, deixaram de votar, número superior à média nacional e o maior entre as capitais brasileiras.
 
AGRESSIVIDADE AFETA REJEIÇÃO
O cientista político e professor da UFRJ Paulo Baía estima que o percentual de votos em branco e nulo, somado à abstenção, será superior ao registrado no primeiro turno. Para ele, as campanhas mais agressivas nas últimas semanas ampliaram a rejeição aos candidatos.
 
— O clima dessa eleição é muito atípico, com guerra de publicidade. Isso cria um ambiente de desânimo e descrédito, não agrada ao eleitor e acaba aumentando a indecisão e a rejeição aos candidatos, o que vai impactar no aumento dos votos em branco e nulos e também afetar a abstenção — afirma o pesquisador.
 
Segundo o Datafolha, o percentual de votos em branco e nulos é mais expressivo entre os eleitores que votaram em Carlos Osorio (PSDB) e Indio da Costa (PSD) no 1º turno. Entre o eleitorado do tucano, 38% declararam que não pretendem escolher ninguém, enquanto 27% preferem Marcelo Freixo (PSOL), e outros 27% votarão em Marcelo Crivella (PRB). No eleitorado de Indio, os que optam por votar em branco ou nulo, por enquanto, são maioria e somam 33%, seguidos pelos que pretendem votar em Crivella (30%) e Freixo (21%).
 
No eleitorado de maior renda (mais de 10 salários mínimos), o percentual é de 24%, mas menor que as intenções de voto em Crivella e em Freixo. A rejeição aos dois candidatos também é ligeiramente maior entre as mulheres e, nesse grupo, votos em branco e nulos chegam a 21%.
 
No quadro geral, o levantamento aponta que Marcelo Crivella mantém a liderança das intenções de voto na reta final da disputa. O candidato apresentou queda de dois pontos percentuais, mas abaixo da margem de erro, que é de três pontos, para mais ou para menos. Crivella tem 46% dos votos, enquanto Marcelo Freixo totaliza 27%. Na simulação anterior do Datafolha, Crivella aparecia com 48% e Freixo, 25%.
 
Considerando os votos válidos, o candidato do PRB aparece com 63% das intenções. Freixo, por sua vez, soma 37%. No levantamento anterior, o senador tinha 66% dos votos, e o candidato do PSOL, 34%. Além disso, 88% dos entrevistados dizem que já estão decididos, enquanto 12% afirmam que ainda podem mudar de escolha.
 
CRIVELLA CAI ENTRE JOVENS
A pesquisa aponta que Crivella teve sua maior queda, de 11 pontos percentuais, nas intenções de votos dos mais jovens, de 16 a 24 anos, e foi ultrapassado por Freixo nessa faixa etária. Nos demais grupos etários, Crivella continua na liderança. O senador, por sua vez, apresentou alta de três pontos percentuais no grupo de 35 a 44 anos.
 
O candidato do PRB também teve queda de sete pontos percentuais entre os eleitores que votaram em Pedro Paulo (PMDB), enquanto Freixo apresentou alta de dez pontos no mesmo grupo. Crivella, no entanto, ainda lidera as intenções de voto neste eleitorado.
 
No recorte por religião, os dois candidatos estão em empate técnico entre os católicos. Crivella passou de 37% para 33%, enquanto Freixo oscilou de 30% para 32%. Crivella mantém ampla vantagem, com mais de 70% das intenções de voto, entre evangélicos. Entre espíritas, Freixo subiu 14 pontos percentuais, de 37% para 51%, já o candidato do PRB se manteve com 22% das intenções de voto. Crivella cresceu seis pontos percentuais no grupo dos que não têm religião, no qual os dois candidatos apareciam empatados no levantamento anterior. Agora, Crivella soma 43% dos votos, contra 34% de Freixo.
 
O Datafolha ouviu 1.280 eleitores com 16 anos ou mais. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral sob o protocolo RJ-09035/2016. O nível de confiança é de 95%, o que representa a probabilidade de o resultado retratar a realidade, levada em conta a margem de erro.



 

 

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