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  A Lei Geral dos Protestos de Estudantes

Data: 26/10/2016

 

Quanto mais sensatas forem as leis e as mudanças propostas pelo governo, mais estudantes protestarão contra elas

Por Leandro Narloch (foto)

Dada a recente onda de passeatas e invasões a escolas, temos material suficiente para formular um tratado – a Lei Geral dos Protestos de Estudantes. O enunciado é simples:

Os protestos estudantis são diretamente proporcionais à sensatez do tema em questão. Quanto mais sensatas forem as leis e as mudanças propostas pelo governo, mais estudantes protestarão contra elas.

Leitor, essa lei é pobre e simplória, mas tem uma capacidade riquíssima de explicar o noticiário brasileiro. Veja a reforma do Ensino Médio preparada por Dilma e proposta por Temer. Não há notícia melhor para os adolescentes. Eles agora poderão escolher ter menos aulas de química orgânica ou sociologia e mais aulas de inglês ou matemática.

Para os invasores das escolas, a reforma é de uma sensatez insuportável. “Química orgânica é essencial à cidadania”, devem dizer os invasores paranaenses quando não matam os colegas. “Como preparar a revolução se não sabemos o que é uma função nitrogenada?”

No Paraná e em outros estados, estudantes também protestam contra a PEC 241. Que é simplesmente a coisa mais sensata que houve nesta década.

Qualquer pessoa que não seja um completo analfabeto em economia, qualquer um que não seja adepto de uma seita obscurantista, enfim, qualquer pessoa que entenda de política um pouco mais que o Gregorio Duvivier sabe que o maior risco dos governos é aloprar nos gastos. Políticos gostam de garantir a alegria do povo do curto prazo e empurrar a crise para os próximos mandatos. Por isso uns trinta países civilizados criaram leis como a PEC 241, entre eles Holanda, Bélgica e Austrália. Mas alguns estudantes, enojados com a coerência da PEC, correram apavorados protestar contra ela na Paulista e nas escolas.

Há exemplos para todo lado. No ano passado, Alckmin tentou remanejar vagas nas escolas estaduais, seguindo uma tendência de todo lugar em que o número de alunos, por causa da menor fecundidade, está caindo. Os estudantes viram ali o ideal da revolução, um motivo para levar bomba da polícia e escapar da monotonia deprê dos tempos de paz.

Voltem duas décadas e a Lei Geral dos Protestos de Estudantes continua em pé. Falo por experiência própria. Lá por 1997, eu participava do grêmio do CEFET-PR, onde estudava mecânica, e o ministro Paulo Renato decidiu mexer no currículo das escolas técnicas.

Muita gente ocupava uma vaga mais cara do ensino técnico para depois virar filósofo, gerente de banco ou jornalista metido a historiador. Por isso o ministério decidiu separar o ensino tradicional do técnico. Os três primeiros anos seriam para Ensino Médio regular e o quarto ano concentraria o ensino profissionalizante. Era uma ideia sensata. Era uma ideia que fazia todo sentido. Bastava somar dois mais dois para concordar com ela. Justamente por isso protestávamos.

Mas é verdade que, em certas condições de temperatura e pressão, a Lei dos Protestos dos Estudantes não funciona. Se o governo que propõe a medida está alinhado aos sindicatos de professores, a reação não se forma, e os protestos não aparecem. Nesse caso, não há sensatez ou maluquice capaz de revoltar os estudantes conduzidos pela esquerda.

Revista Veja




 

 

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