Petrópolis, 28 de Setembro de 2022.
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  CINCO ANOS DEPOIS

Data: 11/01/2016

 

CINCO ANOS DEPOIS

Philippe Guédon

 

            Quando da fundação da Associação de Moradores e Amigos de Itaipava e Adjacências, no final da década de 70, a Estrada Ministro Salgado Filho, eixo principal do Vale do Cuiabá, era uma das localidades de representação mais atuante nas reuniões da AMAI. Notem, por favor, que eram raras as viagens de ônibus entre o Vale e o Centro de Itaipava, pois nem a estrada era lá dessas coisas, nem os “carros” da linha eram assim tão numerosos. Região típica de moradias de “veranistas” (moradores do Rio que vêm aqui passar o verão e todos os fins de semana), quem participava do esforço coletivo durante os dias úteis eram os comerciantes, produtores rurais, profissionais de diversas áreas, moradores permanentes e o casal Glimauro Portilho. Como o 3º Distrito sempre prezou os apelidos dados às pessoas, cito aqui o de nosso Glimauro: “Pão-Pao”.

            Anos mais tarde, meus pais adquiriram um sítio no Vale, ao qual deram o nome de Poncho Verde.

            Fizemos muitas amizades no Vale do Cuiabá; a tragédia da noite de onze para doze de janeiro de 2011 chocou-nos profundamente, destruiu patrimônios construídos durante vidas inteiras e ceifou vidas de modo espantosamente cruel. Rendo-lhes homenagem.

            Nas primeiras horas, conhecemos a generosa reação da população, levando água, alimentos, cobertores e roupas até o mais próximo possível dos locais varridos pelo desastre, e tentando ir adiante como possível. Saúdo  a Defesa Civil Municipal e os Bombeiros do Estado.

            A segunda etapa foi a instalação do Circo dos Poderes, que compreende sobrevôos, promessas, sábios diagnósticos de dirigentes e técnicos de órgãos oficiais, informações desencontradas e começo do calvário dos atingidos pelo flagelo. Pois as perguntas: o que vai acontecer?, a quem me dirijo?, como procedo?, ficavam sem resposta. A União repassava para o Estado, que distribuía entre órgãos diversos, o MP estrilava e pedia apoio, as entidades atendiam (no caso fornecendo precioso estudo produzido pelo CREA-RJ) e pouquíssimo aconteceu. Sumiram quase todos.

            As pessoas pediam prioridade para o atendimento às famílias flageladas e o reflorestamento das coroas de morro, causa maior da desgraça (vide Dr. Rolf Dieringer e Relatório do CREA). Depois, cuidar-se-ia da parte baixa, do fundo do Vale, pois se começássemos por baixo, qualquer chuva forte se encarregaria de produzir novamente o mesmo séquito de efeitos, destruindo o que fora feito no leito e junto aos rios... Para resumir uma longa história, a ação do Minha Casa, Minha Vida foi um fiasco em Petrópolis, e as coroas dos morros, que pediam as mais baratas dentre as ações, continuam peladas e tratoradas..

            Se o Poder Público, Estadual e Federal, merecem notas vizinhas de zero por sua ação (?) no Cuiabá, os moradores do Vale (por sua Associação e iniciativas particulares), a população e entidades de Petrópolis, o Bispo Diocesano D. Filippo Santoro, a Comissão da Câmara Municipal, a Secretaria Municipal de Defesa Civil, o CREA, dedicaram-se ao máximo limite do possível.

 

            Nenhum órgão que faltou com as suas obrigações mandou mensagem penitenciando-se. Alguns estão muito ocupados, a sobrevoar os Abrolhos de helicóptero.




 

 

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