Petrópolis, 28 de Setembro de 2022.
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  LEMBRANÇAS

Data: 28/11/2015

 

 

LEMBRANÇAS

Philippe Guédon

 

         Não careço esclarecer que são memórias da vida participativa, por ser este o último tema público de que ainda cuido.

         Paulo Rattes, antes de sua posse em 1983, deixou claro que ativaria esta prática nascente. Logo nos primeiros meses de 83, o CAMPE (Conselho Municipal das Associações de Moradores de Petrópolis) nascia para congregar as existentes e recepcionar as que se iam criando. Posso dar testemunho que, em meados de 83, as reuniões promovidas pelo Prefeito e pelo CAMPE, na presença do Secretariado todo e das associações, enchiam o auditório que o Instituto Werneck colocava ao nosso dispor. É verdade que o Secretariado da época era uma fração do atual, embora a população nem tenha crescido tanto. A pujança das associações encantava como que a desmentir, por antecipação, os que diriam mais tarde que as pessoas não participam.  Erro dos grandes: as pessoas só não participam quando não levam fé que o jogo é para valer.  De lá para cá, a estrutura da PMP inchou, e a participação independente esvaiu-se. Vox populi, Vox Deo.         

Naqueles tempos, os primeiros Conselhos nasceram o CMTU, Conselho Municipal de Transportes Urbanos, que acolheu a planilha de custos que o Professor da PUC Oswaldo Lima Neto nos trouxe atendendo a convite de Jorge Badia. Os trabalhos nem sempre eram amenos, mas sempre tinham classe; era a época de Calau, Chico Duarte da Silveira, e outros. Houve o CPPHAP, cuja sigla traduzo de modo resumido: Conselho de Preservação. Com a presença de IPHAN e INEPAC e a atenção do Prefeito que não hesitou em revogar ato de secretário da época que aprovara um Anexo ao Quitandinha atropelando o Conselho. Brilhava a APPANDE e o Valparaíso teve a alegria de ver que um plebiscito de seus moradores, realizado num domingo com urnas-caixas de sapato, mas trabalho à vera, foi acolhido pela Prefeitura. Hoje, temos a COPERLUPOS, será o que podemos chamar de progresso?

         E tivemos o CMO, Conselho Municipal de Orçamento, que ensinava ao povo o que era um Orçamento. À moda Rattes, com todos os secretários presentes. As reuniões tinham lugar no Liceu Municipal Cordolino Ambrósio. Hoje, temos Orçamentos complexos, que ninguém explica nem entende

         Será saudosismo? Com certeza, até porque aqueles tempos merecem a nossa saudade, bem como o Orçamento Participativo, aquele caquinho de dinheiro a ser investido, cujas prioridades eram transferidas às Comunidades. 27.000 pessoas votaram em 2003 para investimentos em 2004. Como a Primavera de Petrópolis, esta bem sucedida prática feneceu.

         A roda gira e a Lusitana roda. Agora mesmo pensamos que o povo ganharia o direito de decidir o seu destino, além mandatos quadrienais, com o INK. Era bom, lógico, barato e participativo. Não é que tenhamos voltado ao ponto de partida, pois muito recuamos.

 

         Eu atribuo a responsabilidade aos partidos, que confundem as suas lutas de pó der com o interesse popular. Aos meus olhos, as manchetes dos jornais evidenciam que há completo divórcio entre partidos e povo. E até me parece que a revisão deste absurdo não está mais tão distante; pois quando dezenas de Senadores declaram apoiar os candidatos independentes, a aurora não deve demorar muito mais.




 

 

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