Petrópolis, 17 de Outubro de 2021.
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  A FRENTE PRÓ-PETRÓPOLIS

Data: 27/07/2014

 

A FRENTE PRÓ-PETRÓPOLIS

Sábado, 26 de Julho de 2014

 

            Foi em 28 de junho de 2011 que o Comitê Gestor do Portal Dados Municipais viu-se confiar por Dom Filippo Santoro, então Bispo de Petrópolis e hoje Arcebispo de Táranto, Itália, a missão de dar continuidade aos esforços da Diocese para mobilizar a sociedade no sentido de tornar mais ágeis as medidas de atendimento aos moradores do Vale do Cuiabá e adjacências, minimizando as consequências da tragédia da noite de 11 para 12 de janeiro de 2011.

            Assim nasceu a Frente Pró-Petrópolis. E, desde então, decorridos pouco mais de três anos, duas vezes por mês o Movimento se reúne nos belos locais da FIRJAN Região Serrana, produzindo pautas e atas, obtendo e repassando documentos relevantes, gerando uma biblioteca comunitária aos cuidados do Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade. Penso que a continuidade no esforço seja a maior virtude dos participantes da “Éfepêpê”, seguindo uma lição proposta por D. Hélder Câmara em precioso livrinho intitulado “O deserto é fértil” (1985): “Não, não pares,/é graça divina/começar bem./Graça maior, persistir na caminhada certa,/manter o ritmo./Mas a graça das graças/é não desistir./Podendo ou não podendo,/caindo, embora, aos pedaços,/chegar até o fim...”.

            Não pretendo fazer aqui um inventário das ações empreendidas, tanto as que resultaram em algum avanço para o Município como aquelas que morreram na praia por uma ou outra razão, inclusive falhas nossas. Quero apenas lembrar que a FPP é um movimento plural, que conta com participantes vindos de todas as áreas de atuação, moradores ou atuando profissionalmente em diversos bairros e distritos de Petrópolis. Foi-nos dada, recentemente, a grande alegria de recepcionar jovens (da melhor qualidade) e de constatar que a vocação comunitária não exige cãs. Somos “tuti-partidários”, mas neste campo não podemos apregoar êxitos; nossos partidos políticos são reticentes (salvo as raras exceções de praxe) à prática plural da cidadania.

            A experiência foi evidenciando que os cuidados com o Vale do Cuiabá e suas adjacências seriam melhor atendidos se a população cerrasse fileiras em torno de uma coordenação única, e deliberamos apoiar os trabalhos da Comissão das Chuvas da Câmara Municipal, dinamizada pelo companheiro de FPP e vereador Silmar Fortes. Pareceu-nos que melhor cumpriríamos a missão assumida, se nos dedicássemos à origem maior de nossos problemas: o nosso indigente planejamento participativo. As nossas encostas e coroas de morros degradados só merecerão a devida atenção quando as nossas ações não forem limitadas pelos mandatos quadrienais, quando as nossas políticas públicas forem pensadas para os próximos vinte ou trinta anos. Escrevo com pleno sentimento de respeito por nossos administradores, cujos propósitos e competências não estão aqui em jogo. Ocorre que não há política pública que possa ser concebida, aprovada e implementada em quatro anos, sabendo-se que o primeiro ano do mandato lembra o conceito da terra de ninguém, pois foi planejado e orçado por uns, para execução por outros. Se quisermos dispor de políticas públicas eficazes, temos que aceitar que perpassem três, quatro ou cinco administrações; só quem pode conseguir o milagre da reconversão de nossos (maus) hábitos político-administrativos é a gestão participativa, eis que as administrações se sucedem umas às outras, mas a população permanece... E dela emana todo o poder.

            A FPP nasceu do Comitê Gestor do Portal Dados Municipais, e não deixou de cuidar dessa página comunitária. Conheço poucos “sites” comunitários municipais, de norte a sul do país. O portal dadosmunicipais.org.br é um orgulho, frequentemente citado pelas ferramentas de busca como o Google. Desde o início deste ano, passamos a editar O Brado de Petrópolis, boletim mensal remetido a quase 4.000 endereços eletrônicos de políticos, jornais impressos e eletrônicos, blogs e formadores de opinião.

            Da FPP nasceu, também o IPGP, nosso Instituto formalmente instituído e que desde o final do ano passado vem realizando seminários de âmbito nacional em Petrópolis e tem por objetivo maior aperfeiçoar a gestão participativa entre nós.

            A FPP se quer instrumento de unidade. Queremos ajudar as nossas administrações a serem modelares, e as pessoas a encontrarem os melhores meios de fazerem ouvir as suas vozes sobre os temas que lhes dizem respeito. Não somos “contra” nada nem muito menos “contra” ninguém. Somos pró tudo e todos que se dispuserem a beneficiar o nosso Município e as pessoas que aqui moram e/ou aqui trabalham.

            Três anos decorridos, é gratificante vermos em torno da mesa de reunião pessoas que continuam entusiasmadas por Petrópolis e pela meta que se auto-impuseram, sem nenhum interesse que não seja o bem comum.

 

Philippe Guédon




 

 

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