Petrópolis, 19 de Setembro de 2020.
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  EU, PREFEITO

Data: 12/12/2016

 

EU, PREFEITO

Philippe Guédon

 

 

“Caros Petropolitanos,

            cometi a loucura de me candidatar a prefeito, após filiar-me à uma sigla que me aceitou na condição de futuro “candidato avulso” sem deveres  com o partido. As pesquisas furaram e ganhei. E agora?

            Cumpri a lei 9.504 e apresentei à Justiça Eleitoral 3 propostas de Governo (e não um plano mentecapto): “a) tentar recuperar a falida Administração Pública de Petrópolis; b) cumprir as leis existentes; c) representar o povo sem intermediários (CF, art. 1º, par. único)”.

            Estou compondo o 1º escalão com Servidores, pois falido não contrata cargo de confiança que não seja indispensável. A estrutura será a necessária e suficiente; em 2012, técnicos sugeriram um Organograma enxuto, ótimo ponto de partida: áreas, secretarias, administração indireta, fundos, efetivos, conselhos de participação. Vou ouvir o IBGE: nossos efetivos não devem ir além de 3% da população, idealmente 2,5% (entre, portanto, 9.000 e 7.500), inativos inclusos, pois optamos pelo RPPS em 1989. Ao final das reflexões uma audiência pública permitirá a oitiva da população: como não implodir, quantos gastos devemos cortar para assegurar investimentos e como viabilizar mutirões salvadores gerando rendas para aqueles que não mais as têm. Uma nova lei de Estrutura Administrativa será proposta e, ao cabo, votada e publicada no DO certificado e pontual. A pressa é exigida pelo erário vazio. 

            E a Câmara, que custa 30 milhões por ano, recordista do pior custo/benefício do Município? Soberano, o Poder fará o que entender; eu só sugiro a sua re-fundação. Assim como está, ilha de fortuna em mar de sacrifícios, cuidando de si mesma e dos seus, cheia de luxos e cargos, esta Câmara que não publica leis, atrasa atas, realiza audiências de fancaria, desdenha do povo e acolhe a imoralidade partidária, terá de ouvir a repulsa dos munícipes que não se sentem representados. Não havendo mais cargos de confiança no Executivo e tão logo extinta a imoral COPERLUPOS, o nível do diálogo entre Poderes tenderá a subir.

            Etapa seguinte: planejamento. O INK participativo, nos moldes de Piracicaba, está incluso na nova estrutura e gerará Plano Estratégico de 20 anos e Plano Diretor de 8. Os vereadores, o meu vice e eu fomos eleitos para mandatos de 4 anos e nem mais um dia, não tendo legitimidade para deliberar sobre o futuro distante. Não vamos adotar o mau procedimento da prorrogação do contrato da Cia. Águas do Imperador.

Voltará a Primavera de Petrópolis, acrescida do Orçamento Participativo de 2002/2004, e da Casa dos Conselhos do bom Zanatta. Petrópolis nunca teria caído no fosso onde jaz se o povo não tivesse sido alijado de sua co-gestão em benefício da hegemonia partidária apodrecida.

            Um quadro-resumo compreensível do Orçamento atualizado será exposto em locais públicos. As sextas à tarde, receberei a Imprensa para prestar-lhe informações e ouvir a sua voz.

            Tenho dito”.

 

            Não se assustem: é tudo ficção, a ver se aturo esta transição em que os dois times fingem que jogam e os árbitros fingem que apitam, torcendo para que um terremoto apague tudo e enseje o recomeço de zero. O povo, coitado, órfão de pai e mãe, tem que aturar o balé dos partidos. Até quando?




 

 

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