Petrópolis, 19 de Setembro de 2020.
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  A NOVA PETRÓPOLIS

Data: 09/10/2016

 

A NOVA PETRÓPOLIS

Philippe Guédon

 

Só conheceremos o novo Prefeito em 30 de outubro, quando da votação do segundo turno. Podemos torcer por um governo participativo, que renegue o equívoco dos “planinhos de governo” quadrienais que tendem a sobrepor-se aos Planos Diretores de 10 anos mas cujo cumprimento a Justiça Eleitoral não se preocupa em cobrar. Já que disputam o 2º turno o PMDB de Paulo Rattes e o PSB de Rubens Bomtempo, bem que poderíamos voltar à Primavera de Petrópolis ou ao Tempo de Participação (com Orçamento Participativo) de Bomtempo. Aí, o 2º turno ficaria bacana.

Aproveito a citação à Justiça Eleitoral para elogiar a atenção com os idosos e portadores de necessidades especiais: alertadas pelos interessados, as Zonas Eleitorais se desdobram para trocar o local de votação de acesso difícil por outro que não apresente degraus ou rampas fortes.

A nova composição da Câmara já é conhecida. Podemos esperar que se mostre menos distante do povo que representa do que a atual, que realize audiências públicas nos moldes da Resolução 88/16, que releia os artigos 6º e 7º da LOM (Ouvidoria do Povo negada), o artigo 32 (que exige a publicação das leis promulgadas e atos da Câmara, e impede a omissão incorrida em relação à revisão da LOM e do RI que os tornou ectoplasmas sem validade), o artigo 79 (publicação do relatório obrigatório que deve ser entregue ao novo Prefeito e reproduzido no DOM imediatamente, no prazo de 5 dias após a sua proclamação). Podemos esperar também uma Câmara que conte com trinta olhos atentos de vereadores e não deixe de perceber e denunciar horrores como a prorrogação do contrato da PMP com a Cia. Águas do Imperador. Pois ninguém tinha ou tem mandato para deliberar sobre os anos de 2027 a 2042. Enfim, podemos esperar uma Câmara digna do nome; afirmo que vejo entre os eleitos cidadãos da melhor qualidade, experientes ou iniciantes. Márcio Arruda e Wanderley Taboada, por exemplo, são de excelente safra.

Peço permissão para falar de aritmética eleitoral. Coisa simples e sem pretensões. No 1º turno, os dois candidatos que passaram para o 2º alcançaram: Bernardo Rossi, 45,55% dos votos válidos, sejam 68.420; e Rubens Bomtempo, 42,21% dos votos válidos, sejam 63.402 votos. Tivemos 58.073 abstenções, seja 23,74%, uma das mais altas do Estado. Para Prefeito, 10.480 eleitores votaram em branco e 25.888 anularam seu voto. O total das abstenções, brancos e nulos alcançou 38,6% do eleitorado de 244.648 eleitores, sejam 94.441 votos, 38% acima do total de votos dado ao candidato a Prefeito mais votado. A grosso modo, metade dos eleitores de Petrópolis não está contemplada no 2º turno; chatinho, não?

            Os vereadores eleitos conseguiram 49.902 votos em seus próprios nomes, seja 20,40% ou 1/5 do eleitorado, e algo como 16,7% da população. Espero que cada vereador aceite refletir um pouco sobre esses dados – 83,4% dos petropolitanos não votaram em nenhum dos vereadores que comporão o Plenário -  que dimensionam a representatividade do Plenário. Lembrem, por favor, da expressão usada pela Presidente do TSE Ministra Cármen Lúcia: Sua Excelência, o Povo, de quem emana todo o poder.

 

            Hora de renovação e de esperança. Bom trabalho, para o bem de Petrópolis.




 

 

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