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  O custo da corrupção no Brasil

Data: 07/10/2014

O custo da corrupção no Brasil

Publicado por Luiz Flávio Gomes - 2 semanas atrás - Jus Brasil

 

“Operação Lava-Jato descobre corrupção na Petrobras de R$ 10 bilhões” (Globo 16/9/14:1); “Fraude de R$ 1 milhão no transporte de cana em SP” (Globo 16/9/14: 24); “Diretor de presídio no MA é detido por corrupção” (Globo 16/9/14: 11); “No Rio, chefe da elite da PM é preso por corrupção” (Estado 16/9/14: A18); Dizem que o mensalão petista teria consumido algo em torno de R$ 140 milhões, que o “sanguessuga” teria nos custado também 140 milhões, o caso Sudam 214 milhões, Operação Navalha 610 milhões, Anões do Orçamento 800 milhões, TRT-SP 900 milhões, banco Marka 1 bilhão e 800 milhões, os “Vampiros” 2 bilhões e 400 milhões, Banestado 42 milhões, as privatizações dos anos 90 outros tantos bilhões, a o metrô de SP cerca de 100 milhões etc.

O quadro horrível e tenebroso da corrupção, que no nosso caso constitui uma herança maldita da cultura colonial que negreja diante dos olhos de todos nós, envolve todos os partidos políticos assim como a quase totalidade dos políticos, sobretudo os que fazem da política uma carreira profissional, em virtude de atuarem de mãos dadas com alguns inescrupulosos e funestos agentes econômicos e financeiros, cujas extravagâncias no mínimo comprovam a inexistência do corrupto sem o corruptor (Pesquisa do Ibope diz que 81% dos brasileiros acham que os partidos políticos são corruptos ou muito corruptos).

O mundo conta com mais ou menos 13 bilhões de anos; o humano discorre sua história já desde seis ou sete milhões de anos. Em qualquer uma dessas decrepitudes, quando falamos de corrupção, o que não se pode contestar é a provecta sentença Nihil sub sole novum (nada de novo sob o sol – frase tirada do Eclesiastes, citada no Jornal de Timon, p. 42).

Adotando a judiciosa metodologia de Timon (criado por João Francisco Lisboa, Jornal de Timon, p. 41), se os quadros que pintamos (sobre a corrupção brasileira) forem arguidos de sombrios e carregados em demasia, isso decorreria não de uma feroz misantropia (aversão aos humanos), sim, da ambiência jornalística contemporânea, que ainda constitui (apesar dos pesares e de toda suspeita que sobre ela recai) a fonte par excellence das narrativas mais tenebrosas e medonhas da depravação e opróbrio dos nossos obscuros tempos.

Ninguém com precisão de um relógio suíço teria condições de confirmar a veracidade dos escandalosos números da corrupção no Brasil, malgrado ventilados a quatro cantos (sempre com distorções abissais, conforme o interesse de cada noticiante). O que admira, no entanto, não é o crime ou a corrupção em si (não é somente aqui que se praticam essas coisas, que tampouco nasceram em 1500, visto que por toda parte – como pondera Timon – Jornal de Timon, p. 313 – as tendências perversas e os instintos do mal se revelam e manifestam mais ou menos). O que espanta e o que “a justo título pode entre nós gerar o descorçoamento acabrunhamento, desalento, e mesmo o terror ainda nos ânimos de mais forte têmpera, é o caráter de generalidade crime organizado suprapartidário e supraideológico que tomou, é a publicidade e impudência com que ele ou ela se perpetra impunemente, em face das autoridades e tribunais, sem comover sequer uma população embotada que reelege continuamente os corruptos ou mesmo os corruptores, que vivem em busca do foro privilegiado e da impunidade, fria e indiferente para o mal como para o bem; que a tal ponto nos havemos familiarizado com o crime e a corrupção que nos parece algo simples e natural (…); é, sobretudo, a horrível boa-fé, o cinismo e a tranquilidade de consciência dos criminosos dos corruptos e corruptores que, ao praticarem os maiores atentados, se desculpam a si mesmos com um raciocínio que o estado da nossa sociedade legitimaria, se coisa alguma fosse poderosa para legitimar o crime” (Jornal de Timon, p. 313).

Quanto maior a corrupção mais concentração da riqueza, mais miséria e mais analfabetismo; ao mesmo tempo, menos produtividade, competitividade e transparência. Os países com os menores índices de corrupção são tendencialmente os mais transparentes e mais civilizados (Noruega, Suécia, Dinamarca etc.). Mas o Brasil, também nesse item, não vai bem: ocupava, em 2013, o 72º lugar no ranking (de 177 países) da Transparência Internacional. Há muito que se fazer nessa área, especialmente para enfrentar “o sofisma banal dos homens humanos imorais do nosso país no sentido de que o que eles fazem, todos os outros fariam em seu lugar”. Tristes os recantos tropicais que absorvem a obscuridade do mundo como se fosse algo natural.

P. S.: A não reeleição de todos os políticos eleitos poderia ser uma contribuição efetiva para a depuração do sistema eleitoral. Participe e assine nosso movimento “fimdareeleição. Com. Br” (é o caminho que pode acabar com o político profissional).

Leia mais informações sobre este artigo aqui: Instituto Avante Brasil

 

Luiz Flávio Gomes

Luiz Flávio Gomes

Professor

Jurista e professor. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001). assessoria de comunicação e imprensa +55 11 991697674 agenda de palestras e entrevistas

 




 

 

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