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  Marchando pelo direito de ser gastador

Data: 03/07/2014

 

 

Marchando pelo direito de ser gastador

 

Diário de Petrópolis, Quinta-feira, 03 de julho de 2014

 

Bernardo Santoro

 

No mês de junho, em Londres, 50 mil pessoas fizeram uma passeata, sob a liderança do humorista Russell Brand, pelo fim das políticas de austeridade no Reino Unido.

 

A dívida atual do Reino Unido é de US$2,7 trilhões e equivale a 75% do PIB nacional. A dívida cresceu, nos últimos anos, 11% do PIB por ano, o que forçou o governo britânico a adotar medidas de austeridade. Espera-se que o déficit público anual termine por volta de meio de 2019, o que significa não o fim da dívida pública, mas o fim do seu aumento.

 

Imagine se todo ano você gastasse muito mais do que ganha trabalhando e que, em certo momento, a sua dívida fosse o equivalente a 75% de tudo o que você ganha por ano. Em algum momento não haveria mais como refinanciar essa dívida e você quebraria, gerando todo o tipo de pobreza e infortúnio decorrente das execuções que porventura fossem feitos.

 

Esses protestos, embora democráticos e honestos, estão fundamentalmente exigindo que o Governo gaste o que não tem. E se gasta o que não tem, precisa pegar emprestado com quem tenha, com juros e data de pagamento, que ficam cada vez maiores se a sua capacidade de pagamento se torna menor, em um círculo vicioso de endividamento e pobreza.

 

A economia sempre reclama o que é sua. Cabe ao gestor público duas escolhas: ser previdente e gerir a dívida de maneira responsável, como condutor do processo de negociação e estabilização fiscal, ou ser gastador e deixar que os emprestadores deixem de emprestar por falta de confiança, gerando um choque de gestão inevitável e traumático.

 

A Argentina escolheu a segunda opção e agora colhe os frutos amargos dessa escolha, que essas 50 mil pessoas também querem escolher, mas que o governo britânico resolveu lutar contra, o que faz bem.

 

O Brasil vive o mesmo problema. O que vamos escolher?

 

 

Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Diretor do Instituto Liberal e Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ




 

 

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