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  A triste sina do PHS

Data: 08/07/2013

 A triste sina do PHS

 

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Criado em Segunda, 08 Julho 2013 14:36

Em 22 de janeiro de 2.011, o presidente nacional do PHS convocou Convenção Nacional em São Luis do Maranhão, capital de difícil e caro acesso, atropelando uma jamanta de dispositivos estatutários e a companheiros de década e meia. Tinha certeza de minha ausência, pois já não tinha eu mais como enfrentar uma viagem tão longa e incômoda, dadas limitações físicas que eram de seu pleno conhecimento. 

Nas condições assim criadas, pôde o presidente dar o seu feio golpe para a tomada de poder e a introdução em cargos chave das estranhas figuras que vinha introduzindo à sorrelfa no Partido. Os incomodados não se mudaram, como manda a sabedoria popular, optaram por ingressar com ação em Juízo, na Vara Cível do DF. Pois assim manda a legislação feita para perpetuar os grupos hegemônicos no poder dos partidos: quer reclamar, pague de seu bolso e vá lá discutir. Não dá para espantar que haja tantos presidentes eternos, dispositivos internos que ofendem a democracia, práticas que só são possíveis pela excessiva complacência das Autoridades. 

A ação apresentada tramitou durante uma no e meio, inclusive gerou audiência – lá no DF – à qual testemunhas compareceram vindas de Petrópolis e Campina Grande. Permaneceram no corredor, não foram ouvidas, voltaram para casa. Após 18 meses, saiu a sentença que concluía ser a inicial “inepta”. Podia-se recorrer, em circunstâncias semelhantes. Dizia um amigo meu que nascer burro é destino, mas ser teimoso é pecado. 

Essa vivência dolorosa ensinou-me mais um aspecto pelo menos curioso. Na página do TSE, são informados os Partidos existentes; clicando em um deles, aparecerão os seus sucessivos Estatutos. Diante de cada um, a informação da data de sua aprovação por acórdão e da publicação respectiva. Surpreso por saber que afrontas ao mínimo bom-senso eram aprovadas pelo TSE, fui ler os tais acórdãos e verifiquei que a “aprovação” é, em verdade, mera autorização do registro de um novo estatuto, verificado apenas se a agremiação existe e foi criada de acordo com a lei. Mas os horrores eventual mente contidos no estatuto não são lidos nem, muito menos, aprovados. Só não me peçam porque essa informação é repassada ao distinto público e, em particular, aos Juízes de 1ª Instância da Justiça Comum encarregados de examinar os litígios intra partidários. Parecem e óbvio que esta “aprovação” os inclinará à prudência.Ainda mais quando o reclamante for um Sr. João Ninguém, mero eleitor filiado ao Partido. 

O PHS virou partido sem causa, pois o seu interesse pelo Solidarismo proposto pelo Padre Fernando Bastos de Ávila é nulo. Quem assistiu ao programa de quinta, 4 de julho, viu uma sucessão de rostos recomendando o “vem pra cá ser candidato, você também”. Não sou de Bagé, e achei difícil imaginar que o propósito era o de reunir pessoas de bem em busca de um Brasil melhor. 

Por falta de sorte, na manhã do mesmo dia 5, mais um dirigente do PHS viu-se às voltas com a polícia. Já fora condenado o secretário-geral nacional, agora o presidente regional de Rondônia aparece no noticiário das páginas político-policiais. O Partido está em todas, desde o apoio eleitoral de milícias à venda de DVDs a preço de poltronas VIP em arenas padrão-Fifa. 

Não podendo recorrer ao TSE, que não cuida da vida interna dos partidos; não tendo como participar do contraditório com armas tão desiguais em Brasília/DF; não tendo visto nenhum de nossos numerosos argumentos vencer a barreira da “inépcia” inicial, e ponto parágrafo, só nos resta assistir a queda de uma bela e séria legenda ao nível da chacota. 

Embora sem querer juntar uma coisa à outra, há muito já me preocupava o desaparecimento das militâncias partidárias apaixonadas, que participavam intensamente da vida política. Na década de oitenta, um bom terço da assistência aos debates públicos, onde e como quer que fossem realizados, era integrado pela militância de numerosas siglas. Hoje? Mais ninguém fala em nome de seu partido, se não dispuser de um mandato, ou estiver a serviço do mesmo. Paixão? Ficou para os trouxas e a espécie do trouxa militante partidário parece estar extinta. Por ser jurássico, posso achar pena e acreditar que não vai levar a nada de bom.

 

Philippe Guédon




 

 

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