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  Na contramão da crise, indústrias investem em inovação, aponta pesquisa

Data: 24/11/2019

 

Na contramão da crise, indústrias investem em inovação, aponta pesquisa

Roberto Márcio - Redação Tribuna


Em plena recuperação fiscal e um dos estados que mais sofre com a crise econômica, o Rio de Janeiro ganhou uma boa notícia nesta reta final de 2019. Recentemente, a Firjan apresentou uma pesquisa inédita sobre como andam as indústrias do estado no quesito inovação e, para surpresa de todos, os dados mostraram números positivos que surpreenderam o mercado.

Segundo o estudo, 60% das indústrias adotam práticas inovadoras com o objetivo de melhorar produtos, serviços e principalmente manter a competitividade. Além disso, outros itens importantes relacionados ao tema foram respondidos por aqueles que mais empregam no estado. Mais da metade da mostragem – mais especificamente 53% – investem em treinamento e na compra de programas tecnológicos.

Apesar dos números revelarem um certo otimismo, mostram também um aspecto que pode ser preocupante, já que dois assuntos importantes no contexto da economia do século 21 foram pesquisados junto aos pequenos empresários. Segundo o trabalho de campo encomendado pela Firjan, inovação e incentivos fiscais ainda são pouco conhecidos nesta tão importante categoria econômica.

A pesquisa foi realizada no segundo semestre deste ano e aconteceu com o intuito de avaliar o padrão das atividades inovadoras nos dois últimos anos. O que a Firjan queria descobrir era, na realidade, quais são os tipos de práticas inovadoras que os empresários empregam em seus negócios. Os números são significantes.

Cerca de 59,5% das empresas pesquisadas estão no caminho da inovação, sendo que 42,5% responderam que tais práticas visam a melhoria de seus produtos, enquanto 28,2% querem agilidade no processo produtivo. A inovação também já assume novas formas e atinge a gestão das empresas: nos últimos três anos, 21,1% das indústrias adotaram prática de gestão nova ou aprimorada e 11,4% investiram na mudança de seu modelo de negócios.

Para o presidente da Representação Regional da Firjan na Região Serrana, Júlio Talon, a inovação é de fundamental importância para aumentar a competitividade e abrir novos mercados. Por isso, a pesquisa revela um desafio que se impõe aos empresários do Rio.

“Nesse processo de que chamamos de ´Quarta Revolução Industrial´, as empresas aprendem a definir melhor os tipos de inovação. Além disso, racionalizar seus recursos para se manter competitivos faz parte da vida delas”, disse ele.

Em Petrópolis, o empresário Alfredo Eccard é um dos que seguem a linha de pensamento de combinar inovação e competitividade nos dias atuais. Em conversa com a Tribuna, o proprietário da Helga´s Brot, afirmou que as práticas inovadoras são fundamentais para a sobrevivência de qualquer negócio nos dias atuais, inclusive citou como exemplo o uso da técnica Lean para melhorar o processo de produtividade, evitando o desperdício.

“A Firjan foi fundamental nesse processo de nos ajudar na modernização e as práticas inovadoras. Através do sistema que adotamos, a produção subiu e em algumas etapas tivemos uma melhora de até 40%, o que resulta na melhora do negócio”, explicou Alfredo, que acredita na melhora da economia do país, em especial no Rio de Janeiro, para 2020.

Para detalhar melhor o que foi a análise de campo, a Coordenadora de Pesquisas Institucionais da Firjan, Joana Siqueira, disse que a inovação vem se consolidando cada vez mais como fator de competitividade entre as empresas. Em virtude disso, ela contou que, na conclusão da pesquisa, seis em cada 10 indústrias desenvolveram alguma ação inovadora nos últimos três anos.

“Esse número, por si só, já é bastante relevante. E, quando a gente pensa na conjuntura econômica que o país estava vivendo, no período que perpassa a pesquisa, esse número chama ainda mais atenção”, afirma Joana.

O tema inovação está em voga no vocabulário do “economês”. E isto se acelera cada vez mais, em que pese a queda dos investimentos no país atual. De acordo com Arthur Garutti, sócio da empresa ACE, a inovação vive um momento inédito e muito positivo no país.

“Independente dos momentos de crise, a inovação vai se mostrando anti-cíclica. Se a gente pegar, por exemplo, o que acontece no ecossistema de startups, investimentos em capitais de risco nos últimos seis a sete anos, o Brasil nunca viveu um momento tão bom. Ele foi totalmente inverso à queda dos indicadores econômicos. A tendência é que, com a retomada do crescimento, isso vai se acelerar”, ressaltou Garutti. 


Em 66% dos casos pesquisados, as empresas perceberam os benefícios

Para entender o que foi a pesquisa feita pela Firjan sobre as práticas inovadoras nas indústrias do Rio, foram selecionados alguns itens:

Resultados da inovação - “Os benefícios da inovação são notórios e mensuráveis: 66% das que investiram em inovação perceberam impactos positivos em questões mercadológicas. Para essas empresas, o desenvolvimento de inovações permitiu manter ou ampliar sua participação no mercado (market share), além de abrir novos mercados. Há, ainda, benefícios que vão desde a melhora na qualidade do produto ou serviço, até a redução dos custos de produção e ampliação da cesta de bens ou serviços ofertados”.

Meio Ambiente: - “Redução de impacto no meio ambiente é outro item importante que aparece entre os resultados positivos para 10,7% das empresas”.

Otimismo para investimentos: - “81,3% das que investiram em inovação pretendem continuar investindo”. Inovação é a saída para a crise? “A pesquisa mostra o reconhecimento da inovação como fator de competitividade e desenvolvimento econômico. Os números permitem compreender o processo de geração e incorporação de inovação pelas indústrias”, explica Joana Siqueira, Coordenadora de Pesquisas Institucionais da Firjan. A pesquisa foi realizada junto com a Sondagem Industrial, feita mensalmente pela Firjan em parceria com a CNI (Confederação Nacional da Indústria) para monitorar o sentimento dos empresários sobre a evolução da indústria e suas perspectivas em relação ao futuro.”

Investimentos em maquinários - “Dentre as formas para desenvolver essas inovações, a aquisição de máquinas e equipamentos é a principal para 47,7% das empresas. Complementar ao desenvolvimento tecnológico, 52,9% das indústrias estão adotando treinamento ou aquisição de software, o que se alinha a tendências apontadas pela Indústria 4.0. As atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) também são foco de 23,9% das indústrias”.

Acesso as leis de inovação - “A pesquisa também revelou que muitas empresas ainda desconhecem alguns incentivos fiscais para a inovação. BNDES e FINEP são as instituições avaliadas mais conhecidas e utilizadas para esse fim. Dentre os menos conhecidos estão Rota 2030 (específico para o setor automotivo) e Lei do Bem. Os incentivos fiscais da Lei do Bem, por exemplo, podem ser concedidos a empresas de todos os setores da economia que realizam atividades de PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) e apenas 9,3% das indústrias que a conhecem fizeram uso dos seus benefícios”.


Perfil de Inovação da Indústria Fluminense

A pesquisa inédita realizada em 2019, sobre padrão das atividades inovadoras das empresas entre 2016 e 2018.

Amostra: 333 indústrias

Setores: Indústria de Transformação

Portes: Pequena, média e grande

Região: Estado do Rio de Janeiro

Margem de erro: 5 pontos percentuais

Coleta de dados: entre os dias 1 e 13 de agosto de 2019

Perfil dos respondentes 61,3% - pequeno porte 29,4% - médio porte 9,3% - grande porte

Tipos de inovação mais disseminadas

Produto novo ou substancialmente aprimorado: 42,5%

Processo produtivo novo ou substancialmente aprimorado: 28,2%

Prática de gestão nova ou substancialmente aprimorada: 21,1%

Estratégia de marketing nova ou substancialmente aprimorada: 20,1%

Modelo de negócio novo: 11,4%

Serviço novo ou substancialmente aprimorado: 10,4%

Forma da inovação

Aquisição de máquinas, equipamentos: 47,7%

Treinamento: 40,9%

Aquisição de software: 35,1%

Design de produtos e serviços: 20,1%

Pesquisa e Desenvolvimento: 14,0%

Aquisição de conhecimentos externos: 12,3%

Outras preparações para produção e distribuição: 12,0%

Parceria com universidade e INTS: 11,7%

Inovações na área de P&D: 6,2%

Não realizou nenhuma das atividades: 15,6%

Resultados da inovação

Para 46,2% a adoção de prática inovadora melhorou a qualidade dos bens ou serviços 46,2% permitiu manter a participação da empresa no mercado; 34,5% das empresas ampliou a cesta de bens ou serviços oferecidos, depois da inovação; 33,5% reduziu os custos de produção ou dos serviços prestados; 27,4% ampliou a participação da empresa no mercado; 26,9% permitiu abrir novos negócios; 24,9% aumentou a capacidade de produção ou de prestação de serviços; 16,8% aumentou a flexibilidade da produção ou da prestação de serviços; 13,7% se enquadraram em regulações e normas padrão relativas ao mercado interno ou externo; 10,7% reduziu o impacto sobre o meio ambiente.

Impactos da inovação

Benefícios são mercadológicos: 66,0% Melhorou a qualidade dos bens ou serviços: 46,2% Ampliou a cesta de bens ou serviços: 34,5% Reduziu os custos de produção ou dos serviços prestados: 33,5% Aumentou a capacidade de produção: 24,9% Enquadramento em regulações ou normas: 13,7%

Setores pesquisados

Alimentos, Produtos de metal, Vestuário, Minerais não metálicos, Plásticos, Máquinas e equipamentos, Química, Móveis, Impressão e reprodução, Têxtil, Extração de minerais não metálicos, Metalurgia, Limpeza e perfumaria, Farmoquímicos e farmacêuticos, Papel e celulose, Manutenção e reparação de equipamentos, Outros equipamentos de transporte, Produtos diversos, Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, Veículos automotores.




 

 

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