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  Zorra partidária

Data: 20/01/2015

 

 

Zorra partidária

Paulo Figueiredo

Advogado e jornalista

 

Valdemar Costa Neto, condenado no processo do Mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, anuncia que criará mais um partido. E Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo, diz que usará o poder para transformar o PSD na segunda maior legenda do Congresso. O notório Valdemar cumpre pena em sua residência e até bem pouco tempo encontrava-se preso em Brasília. Desde o governo inaugural de Lula da Silva dá as cartas com o PR no Ministério dos Transportes. O conhecido Kassab, derrotado em São Paulo, como candidato ao Senado, é ministro de Dilma, titular do Ministério das Cidades, e administra orçamento invejável.

 Um e outro, Kassab e Valdemar, orquestram a criação de duas legendas com a única finalidade de aumentar seu cacife político, atraindo deputados dispostos ao mercantilismo parlamentar. Manipulam o poder e a distribuição de cargos e verbas federais para alcançar seus objetivos. Investirão sobre o PP, PROS, PSDB, PSB, DEM, PMDB e outros nanicos, cientes de que conseguirão um número significativo de adesões. Como sempre, interesses fisiológicos rasteiros e não republicanos, tão somente.

Os partidos já possuem nomes definidos por seus mentores, PL – Partido Liberal, de Kassab, e MB - Muda Brasil, de Valdemar. Constituídos, tratar-se-á de promover a fusão do Partido Liberal com o PSD e do Muda Brasil com o PR, engordados com os infiéis em fuga de suas antigas siglas. Kassab tem como certo o ingresso no PL de 30 deputados, além de 2 governadores, enquanto Valdemar está seguro do apoio de 16 parlamentares.

É muito cinismo, a tal ponto que o fundador oficial do Muda Brasil (?), o desconhecido José Renato da Silva, lamenta não ter a ajuda de Valdemar da Costa Neto, mas declara-se admirador do mensaleiro. Fontes do PR, no entanto, confirmam o aval e a participação do próprio na criação da legenda. Kassab, com o mesmo propósito, usa o obscuro Cleovan Siqueira, como laranja partidário. É demais. É tripudiar sobre a inteligência até de observadores desatentos da cena política brasileira.   

A zorra é total e o escracho revolta. Mais grave é que esses procedimentos são legais, acham-se autorizados pela legislação eleitoral, ainda que imorais. Mesmo com a intenção definida de fraudar por vias oblíquas a obrigação de fidelidade partidária, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deferirá a criação das legendas, cumpridas as exigências legais. Entretanto, diante de tamanho insulto à opinião pública e ao próprio TSE, frente ao objetivo único revelado e incontestável, creio que se poderá impugnar perante a Justiça Eleitoral o registro desses partidos, pelos vícios expostos em seus processos de formação.

De mais a mais, programas políticos e ideológicos, com propostas, como determina a lei, somente para inglês ver, numa repetição enfadonha do que é dito pelas demais entidades partidárias do país. Não sei aonde chegaremos com nossa frágil democracia nesse verdadeiro balcão de negócios em que foi transformada a ação política no Brasil. Temos 32 partidos e poderemos chegar a 34, enquanto o TSE faz vista grossa para maquinações antiéticas e reprováveis.

Manda hoje no governo quem tem voto no parlamento, como se observa com a composição do recente ministério de Dilma Rousseff. E é por isso que há um corre-corre na montagem de maiorias congressuais a cada legislatura que se inicia. O lulopetismodilmista terminou de aquinhoar um leque bem maior de legendas, num quadro que agasalha visões e posições tão distorcidas e opostas, como as que vão de Patrus Ananias a Kátia Abreu ou de Miguel Rossetto a Armando Monteiro, dentre outros, uma salada de fazer corar conservadores de direita a radicais de esquerda.

Como diz um senador convidado a integrar o governo e que prefere manter-se no anonimato, após ter recusado a proposta que lhe fizeram, o governo Dilma navega em águas traiçoeiras, como o Titanic, próximo do naufrágio irremediável.

 

paulofigueiredo@uol.com.br




 

 

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