Petrópolis, 17 de Agosto de 2019.
Matérias >> Cidade >> Notícias
   
  Aumenta número de lojas fechadas na Rua Teresa

Data: 03/04/2014

Aumenta número de lojas fechadas na Rua Teresa

 

Diário de Petrópolis, 03/04/2014 - Anna Paula Di Cicco e Roberta Müller

 

Já temos abordado, por diversas vezes, o número de lojas fechadas na Rua Teresa, incluindo galerias inteiras sem um comércio sequer. O principal motivo apresentado pelos comerciantes é o alto valor nos aluguéis dos espaços somado às luvas exorbitantes. No entanto, como consequência, muitas lojas de Petrópolis têm migrado para o polo têxtil de Duque de Caxias. Agora, outro polo de moda começa a ser construído perto Rio-Magé, através de uma autorização concedida pelo prefeito de Caxias, Alexandre Cardoso. Sendo Petrópolis um município de difícil acesso, seja pelas propagandas negativas, tais como termos o maior pedágio do país e as fortes chuvas que causam tragédias, muitos clientes têm preferido fazer suas compras na baixada.

Segundo matéria publicada na edição do último domingo no jornal “O Globo”, sobre as feiras de malhas em Duque de Caxias, que “desbancou o tradicional centro atacadista da Rua Teresa, em Petrópolis, que tem visto várias de suas lojas descerem a Serra. Como fez a Cuca Fresca há dois anos. Viviane Amorim, uma das sócias, diz que a decisão foi acertada”.

O número crescente de comércios descendo a Serra é alarmante e traz uma única preocupação: até quando teremos a Rua Teresa? Essa via, que é um dos pontos turísticos mais procurados da cidade e o maior polo de modas a céu aberto da América Latina, é também muito frequentada pelos próprios moradores da cidade, que garantem ali compras com um bom custo-benefício. No entanto, pouco se vê sendo feito por ela.

Em fevereiro foi anunciado que o município destinaria verba de R$ 15 mil à Associação da Rua Teresa (ARTE), maior polo de moda de Petrópolis, garantindo a renovação do contrato com a prefeitura que faz o investimento mensal à Rua Teresa. Essa verba serviria também para que pudesse haver mais publicidade com o intuito de atrair clientela e incentivar o turismo de compras.

 

Obras poderiam ter ajudado a atual situação

 

Mas quando o assunto é a reforma da Rua Teresa, que deveria ser feita anos atrás, muitas opiniões são contrárias à decisão da época, quando foi recusada a execução das obras, pois os responsáveis não enxergaram a necessidade de obras na localidade, querendo alterações que não cabiam no projeto. Um dos que se mostram descontentes com a recusa é Marcelo Fiorini, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Petrópolis (Sicomércio). Ele diz que na ocasião, o valor que o Governo do Estado repassaria a esta obra era de R$ 3 milhões.

- Esse investimento poderia ter mudado essa história. Teríamos que passar por período de obras, o que não é muito agradável, mas estaríamos hoje em um outro patamar. Infelizmente não temos tido muito apoio de ninguém e com esse fato, até o Governo do Estado criou uma aversão. Afinal, foi solicitada a verba, o estado disponibilizou, mas na época quem estava à frente recusou. Como vamos solicitar alguma coisa agora? – Lamenta Marcelo Fiorini.

Para o presidente do Sicomércio, muita coisa pode e deve ser feita para melhorar o local, como estacionamentos, vagas na rua, acessibilidade para os ônibus turísticos e revisão do valor dos aluguéis entre outras coisas. No entanto ele não acredita que a Rua Teresa pode sumir como um todo.

- Acho que acabar como um todo não vai, teremos um espaço de compras sempre, pois o número de lojas que temos em toda a rua só tem lá. Então acabar por si só não, mas tem que ver até onde esse processo de encolhimento vai e até onde esses lojistas sobreviventes vão suportar a pressão. – Diz Fiorini.

A indústria têxtil é considerada um dos pilares da economia do município, gerando mais de mil empregos diretos. Porém, esse número pode estar em xeque, uma vez que com os comerciantes fechando as portas, as demissões são certeiras. A via, que possui 1.200 lojas, apresenta aproximadamente apenas 800 abertas. Para Fiorini isso também é um ponto negativo.

- Não sei o que vai acontecer, mas a gente fica apreensivo com a perda de tantos pontos de vendas e de emprego. Funciona como uma cadeia: menos gente com salário, menos gente consumindo e menos gente comprando. Isso mexe com todo o equilíbrio econômico de Petrópolis.

Para ele, algumas das soluções incluiriam, além dos estacionamentos e banheiros públicos, precisaria de uma maior união entre as pessoas envolvidas, uma movimentação para que possam ser tomadas decisões, com todos se mexendo e ajudando na divulgação e melhorias para a Rua Teresa. Outra questão bastante citada e já conhecida é o acesso à cidade, que está cada vez mais difícil. Sempre com obras, pedágio caro, acidentes e tragédias, as pessoas preferem não vir à Cidade Imperial, deixando para fazer suas compras na baixada.

 

Essa realidade não é de hoje

 

Diante da situação, nossa equipe visitou a Rua Teresa para ver se, de fato, essa baixa no número de lojas está atrapalhando os comerciantes do local. Na primeira galeria que entramos já pudemos visualizar os pontos que foram citados nesta matéria. Um lugar vazio, com a maioria das lojas fechadas, apenas duas pessoas sentadas em um banco no corredor e os poucos pontos abertos sem nenhum cliente. No final da galeria, Micheline Pereira, gerente de um restaurante falou conosco e mostrou a dificuldade de se manter por lá.

- A galeria vazia atrapalha demais o nosso comércio. Ainda se as pessoas pudessem vir, comprar uma blusa, ver as vitrines, poderiam querer almoçar por aqui. Mas sem nada aberto, não tem atrativo nenhum. Isso é também falta de investimento na rua e divulgação. Exemplo disso é Nova Friburgo, que bombardeou nas propagandas e está dando resultado. – Afirma Micheline.

A gerente ainda lembra que essa não é uma realidade tão recente. Já vem de anos, mais especificamente desde a tragédia de 2011. Na opinião dela, toda a propaganda de Petrópolis ficou em torno das tragédias, que foi visível para o mundo todo.

- Faltou informar as pessoas de que o Centro está distante das áreas mais afetadas como o Vale do Cuiabá e Teresópolis. Tenho clientes que quando chegam aqui dizem que achavam que a cidade era devastada pelas chuvas, ainda hoje. Reclama Micheline.

Outra questão que ela retoma é da falta de acessibilidade ao município. Ela questiona o interesse das pessoas em virem à Petrópolis uma vez que na baixada podem obter os mesmos produtos, por preços semelhantes e sem pagar pedágio caro ou correr o risco de se depararem com tombamento de carreta.

- O final de semana é o mais importante para o comércio, mas não tem um sequer que não vemos carreta tombando ou batendo. Além do perigo, o trânsito fica péssimo e ainda tem que chegar aqui e não ter estacionamento. As pessoas acabam desistindo. Espero que as coisas possam mudar e a Rua Teresa voltar a ser como era. Comenta a gerente.

 

Cidade perdeu principal característica

 

O presidente da Associação dos Comerciantes da Feirinha de Itaipava, Sergio Costa, o G-tão, reclama que os polos de moda de Petrópolis perderam sua principal característica: a de confeccionista. Segundo ele, agora, os empresários estão preferindo comprar os produtos em São Paulo ou importar da China e revender na cidade à produzir as próprias roupas.

- Então por que as sacoleiras vão querer vir à Petrópolis se podem ir a São Paulo e comprar por mais barato? Nós tínhamos a tradição de ser confeccionista, mas estamos perdendo isso – questionou ele.

G-tão ainda lembrou que, por conta disso, a feirinha teve que se adaptar a “uma nova realidade”. Com o afastamento das sacoleiras, agora os comerciantes investem nos turistas que frequentam Itaipava nos fins de semana, ou seja, nas vendas varejistas e não mais por atacado.

Outro problema que colaborou para o “esvaziamento” dos polos de moda da cidade, ainda segundo o presidente da feirinha, é o atraso nas obras de duplicação da pista subida da Serra.

- Há muito tempo que Petrópolis vem sofrendo com isso. Os problemas na rodovia atrapalham muito o comércio da cidade. São muitos tombamentos de caminhões, que fecham a estrada e o consumidor fica preso no trânsito, muitos buracos na pista – completou.

 

Concer diz que obras estão em dia

 

Procurada para esclarecer algumas reclamações citadas na matéria, que se referem à dificuldade de acesso de Petrópolis, a Concer informou por meio de nota que “está rigorosamente em dia com as obras da Nova Subida da Serra da BR-040, tendo iniciado a execução do projeto imediatamente após receber a devida e necessária autorização do poder concedente, em meados do ano passado. A nova pista, que estará concluída em 2016, encurtará o tempo de viagem a Petrópolis e tornará esse trecho da BR-040 mais seguro e moderno”.

Sobre os acidentes no trecho em questão, segundo a Concer, “é de notório conhecimento a avaliação da Polícia Rodoviária Federal de que a maioria das ocorrências é causada pela imprudência e imperícia dos motoristas. Sempre que ocorre alguma interdição na pista, todos os recursos da concessionária são mobilizados para o eventual atendimento a vítimas e à desobstrução do trecho afetado, de modo a restabelecer a normalidade do tráfego”.

Entramos em contato com a Secretaria de Planejamento de Petrópolis, porém, até o fechamento desta edição, não obtivemos respostas.




 

 

Área do Município: 795.798 km²
População estimada (2013): 297.888 habitantes (95% alfabetizada)
Densidade Demográfica (2013): 371,85 habitantes/km²
PIB (2011): R$ 9.212.328.000,00 (R$ 30.925,47 per capta)
Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (2010): 0,745 (13º dentre 92 no RJ)
Fonte: IBGE
DADOS MUNICIPAIS EQUIPEWEB DADOS MUNICIPAIS DADOS MUNICIPAIS